O coração tem razões que própria razão desconhece" - Pascal
1 - O título desta postagem localiza um debate que estamos promovendo em sala de aula. Em nossos estudos iniciais procuramos marcar a singularidade do Ser Humano face a Natureza.
2 - Esta singularidade é acentuada quando promovemos o debate da relação entre o Cérebro e a Mente.
3 - Nesta sequência examinamos as duas principais doutrinas denominadas Dualismo (destaque para Platão) e o Monismo (destaque para Demócrito).
4 - Recomendo conferir detalhes destas doutrinas em postagens anteriores.
5 - Todas estas reflexão que ocorrem no âmbito da Antrolopologia Filosófica tem como indagação central a questão - Quem é a Pessoa ou o Ser Humano?
6 - ou Quem é o Ser Humano? Quem é este ser que emerge da Natureza (portanto dela faz parte) e ao longo de sua hístória torna-se singular a ela?
7 - O que confere aos Humanos esta ou qualquer singularidade?
8 - Estudamos o Corpo e o Psiquismo.
9 - No Corpo encontramos processos semelhantes aos encontrados em toda a Natureza: encontramos em operação as Leis Necessárias (Leis que possuem regras idênticas em qualquer parte da Terra e podem ser identificadas pela Razão).
10 - Mas neste mesmo Ser Humano encontramos uma dimensão contingente (acidental), não necessária que estará presente no próprio estudo da Ética e da Filosofia Política.
11 - Em uma síntese brilhante Aristóteles irá denominar o ser humano como Animal Racional.
12 - Racional na sua singularidade e Animal em sua Natureza (os seres humanos surgem na evolução a partir dos primatas).
13 - Mas então fazemos a pergunta? A Razão pode tudo?
14 - A frase de Pascoal - "O coração tem razões que própria razão desconhece" nos obriga precisamente a examinar que razões são estas proclamadas pelo Coração.
15 - Descobrimos que além dos Sentidos (que nos coloca em contato com a natureza sensível ) e da Razão que organiza este conhecimento, pela sua racionalidade, descobrimos que existe um vasto universo da dimensão humana que está em uma esfera mais ampla de nossa experiência.
16 - Sentimentos (emoções) e a Intuição passam a figurar em nosso sistema.
17 - Jung, discípulo de Freud, sistematizou este conhecimento . Estes são os elementos de nossa atual reflexão.
Frederico Drummond - professor de filosofia
Café Filosófico e Espaço Vivencial: Registro das reflexões e vivências de todos aqueles que buscam seus propósitos, em cada momento da vida, e contam com a ajuda da filosofia, de terapias e jornadas existenciais para seu crescimento pessoal e coletivo. Buscamos a interação com nossa comunidade, na perspectiva da exercício da cidadania. (*) Do grego - Phylo = Amor; Sophia = Sabedora. Assim: Filosofia signfica "Amor a Sabedoria"
quarta-feira, 16 de maio de 2012
sábado, 12 de maio de 2012
3ª Semana (14 a 18/05) - Tema - Linguagem e Pensamento
Iremos detalhar este tema na próxima segunda feira, dia 14 de maio. Os alunos que possuem o livro Filosofando podem iniciar a leitura o texto correspondente.
Bons estudos
Bons estudos
O protagonismo dos alunos em sua própria educação.
A relação tradicional professor-aluno criou um grave desvio no processo de formação educacional. Formou-se em toda a comunidade envolvida neste processo (professores-alunos-pais e dirigentes das instâncias educacionais) a noção de que o professor é um provedor do conhecimento e o alunos é "um cliente-consumidor" da aprendizagem. Em um processo assim toda a responsabilidade pelo "sucesso" do aluno fica restrito ao desempenho do professor. Identificamos pelo menos dois fatores na origem neste desvio:
a) Um de caráter nitidamente idelógico, reforçado por um conceito presente na visão neo-liberal da sociedade, que considera todas as relações como relações de mercado: a educação é uma mercadoria, que se realiza no processo clientes (alunos) - fornecedores (professores) e se destina ao consumo dos primeiros. O aluno paga as mensalidades em uma escola privada ou os impostos em uma escola estatal e passa a ser o cliente, dentro da clássica máxima de marketing - que "o cliente tem sempre a razão".
b) O outro desvio é na natureza autocrática da formação da cultura nacional. O Brasil viveu longos períodos de regimes autoritários, deixando-nos um legado de procedimentos igualmente autoritários. Neste caso os processos burocráticos na educação sobrepõem-se aos processos pedagógicos. Muitas das tensões em sala de aula, na relação professor-aluno, tem esta origem. Nós, como sociedade, temos que ser capazes em conjunto de dar uma resposta a este desafio. Tenho um sentimento ( e é isto mesmo - apenas um sentimento) que os nossos adolescentes cresceram com menor influência do autoritarismo, mas com forte influência do consumismo. Assim mantem uma relação apenas receptiva da "mercadoria" educação, sendo pouco protagonista dela. E existe um fator adicional: a mídia fortalece de maneira exacerbada a busca, a qualquer preço, de uma satisfação hedonista. E este "grande" prazer não é o que acontece em sala de aula. Mas existe um lado concreto de desconforto nas salas de aula. Em cadeiras desconfortáveis, salas muito quentes, com muitos alunos, com as mesmas características físicas das salas do começo do século XX os alunos e professores não tem motivos para sentir qualquer bem estar.
À lamentável combinação destes fatores junta-se outro de natureza política. A estrutura quase medieval da "linha de comando" da Secretaria de Educação Estadual (no presente caso falamos do exemplo de Minas Gerais). Um secretária, com superintendentes,insperoras, diretoras: ou seja no mínimo quatro níveis hierárquicos e um estilo marcadamente autocrático dos elementos desta hierárquica. E neste caso apenas a democratização do Estado poderá criar uma nova perspetiva.
Em todo este quadro insistimos: o protagonismo dos alunos, na qualidade de cidadãos, é fundamental para reverter o quadro muitas vezes insólitos de nossas salas de aula.
Frederico Drummond - professor filosofia
a) Um de caráter nitidamente idelógico, reforçado por um conceito presente na visão neo-liberal da sociedade, que considera todas as relações como relações de mercado: a educação é uma mercadoria, que se realiza no processo clientes (alunos) - fornecedores (professores) e se destina ao consumo dos primeiros. O aluno paga as mensalidades em uma escola privada ou os impostos em uma escola estatal e passa a ser o cliente, dentro da clássica máxima de marketing - que "o cliente tem sempre a razão".
b) O outro desvio é na natureza autocrática da formação da cultura nacional. O Brasil viveu longos períodos de regimes autoritários, deixando-nos um legado de procedimentos igualmente autoritários. Neste caso os processos burocráticos na educação sobrepõem-se aos processos pedagógicos. Muitas das tensões em sala de aula, na relação professor-aluno, tem esta origem. Nós, como sociedade, temos que ser capazes em conjunto de dar uma resposta a este desafio. Tenho um sentimento ( e é isto mesmo - apenas um sentimento) que os nossos adolescentes cresceram com menor influência do autoritarismo, mas com forte influência do consumismo. Assim mantem uma relação apenas receptiva da "mercadoria" educação, sendo pouco protagonista dela. E existe um fator adicional: a mídia fortalece de maneira exacerbada a busca, a qualquer preço, de uma satisfação hedonista. E este "grande" prazer não é o que acontece em sala de aula. Mas existe um lado concreto de desconforto nas salas de aula. Em cadeiras desconfortáveis, salas muito quentes, com muitos alunos, com as mesmas características físicas das salas do começo do século XX os alunos e professores não tem motivos para sentir qualquer bem estar.
À lamentável combinação destes fatores junta-se outro de natureza política. A estrutura quase medieval da "linha de comando" da Secretaria de Educação Estadual (no presente caso falamos do exemplo de Minas Gerais). Um secretária, com superintendentes,insperoras, diretoras: ou seja no mínimo quatro níveis hierárquicos e um estilo marcadamente autocrático dos elementos desta hierárquica. E neste caso apenas a democratização do Estado poderá criar uma nova perspetiva.
Em todo este quadro insistimos: o protagonismo dos alunos, na qualidade de cidadãos, é fundamental para reverter o quadro muitas vezes insólitos de nossas salas de aula.
Frederico Drummond - professor filosofia
domingo, 6 de maio de 2012
Planejamento do mês de Maio 2012 - Tema central: Antropologia Filosófica.
Prezados Alunos,
Como já havíamos comentado, o segundo bimestre de 2012 será dedicado a dois eixos centrais:
a) A Antroplogia Filosófica. (mês de maio)
b) A Ética ( junho e julho)
Já orientei todas as turmas quanto aos temas de cada eixo. Mas para nosso planejamento vamos repetir aqui nossas principais tarefas, especificamente para o més de maio:
1ª Semana - (2 a 4/05) - Semana dedicada a avaliação e os resultados os estudos no primeiro bimestre do ano. Passamos as seguintes tarefas:
a) Leitura do texto Natureza e Cultura. -
Para as turmas do ensino regular que possuem o livro Filosofando esta leitura compreende o Capítulo 4 do livro (páginas 46 a 52). Esta leitura servirá de base para Trabalhos de Grupo, a ser realizado na sala de aula envolvendo as seguintes questões;
I - Faça a distinção entre ação instintiva e ação inteligente. Dê Exemplos.
II - Em que sentido a diversidade cultural é um fato?
III - Como é possível, em uma dada cultura, conciliar tradição e ruptura? Explique e dê exemplos.
Para as turmas do EJA solicitamos pesquisa na internet sobre o mesmo tema, recomendando acessarem o link do facebook Filosofia Sete Lagoas - http://www.facebook.com/#!/filosofia.setelagoas
2ª Semana ( 7 a 11/05) - Debate e produção de um texto envolvendo o tema proposto - Natureza e Cultura
3ª Semana (14 a 18/05) - Tema - Linguagem e Pensamento
4ª Semana ( 21 a 25/05) - Tema - Trabalho, alienação e consumo.
5ª Semana ( 28 a 31/05) - Tema - Em busca da Felicidade e Aprender a morrer.
As tarefas para cada semana deverão seguir a mesma estrutura da metodologia proposta na primeira semana. Ou seja - leitura do texto básico; debate em sala de aula e produção de um texto com reflexão do tema proposto.
Como já havíamos comentado, o segundo bimestre de 2012 será dedicado a dois eixos centrais:
a) A Antroplogia Filosófica. (mês de maio)
b) A Ética ( junho e julho)
Já orientei todas as turmas quanto aos temas de cada eixo. Mas para nosso planejamento vamos repetir aqui nossas principais tarefas, especificamente para o més de maio:
1ª Semana - (2 a 4/05) - Semana dedicada a avaliação e os resultados os estudos no primeiro bimestre do ano. Passamos as seguintes tarefas:
a) Leitura do texto Natureza e Cultura. -
Para as turmas do ensino regular que possuem o livro Filosofando esta leitura compreende o Capítulo 4 do livro (páginas 46 a 52). Esta leitura servirá de base para Trabalhos de Grupo, a ser realizado na sala de aula envolvendo as seguintes questões;
I - Faça a distinção entre ação instintiva e ação inteligente. Dê Exemplos.
II - Em que sentido a diversidade cultural é um fato?
III - Como é possível, em uma dada cultura, conciliar tradição e ruptura? Explique e dê exemplos.
Para as turmas do EJA solicitamos pesquisa na internet sobre o mesmo tema, recomendando acessarem o link do facebook Filosofia Sete Lagoas - http://www.facebook.com/#!/filosofia.setelagoas
2ª Semana ( 7 a 11/05) - Debate e produção de um texto envolvendo o tema proposto - Natureza e Cultura
3ª Semana (14 a 18/05) - Tema - Linguagem e Pensamento
4ª Semana ( 21 a 25/05) - Tema - Trabalho, alienação e consumo.
5ª Semana ( 28 a 31/05) - Tema - Em busca da Felicidade e Aprender a morrer.
As tarefas para cada semana deverão seguir a mesma estrutura da metodologia proposta na primeira semana. Ou seja - leitura do texto básico; debate em sala de aula e produção de um texto com reflexão do tema proposto.
domingo, 29 de abril de 2012
Importante material para nossas pesquisas :Jovens brasileiros conciliam bem ciência e religião
Pesquisa revela que a maioria dos estudantes do ensino médio não vê a fé como barreira à aceitação da teoria evolutiva de Darwin
28 de abril de 2012 | 18h 38
Herton Escobar
A maioria dos jovens brasileiros vive em paz com suas crenças religiosas e a ciência da teoria evolutiva. Tem fé em Deus e, ao mesmo tempo, concorda com as premissas estabelecidas por Charles Darwin mais de 150 anos atrás, de que todas as espécies da Terra - incluindo o homem - evoluíram de um ancestral comum por meio da seleção natural. É o que sugere uma pesquisa realizada com mais de 2,3 mil alunos do ensino médio no País, coordenada pelo professor Nelio Bizzo, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

A conclusão flui de um questionário sobre religião e ciência respondido por estudantes de escolas públicas e privadas de todas as regiões do País, com média de 15 anos de idade. A base de dados e a metodologia usadas na pesquisa foram as mesmas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), segundo Bizzo, para garantir que os resultados fossem estatisticamente representativos da população estudantil brasileira. “É o primeiro dado com representatividade nacional sobre esse assunto para esta faixa etária”, diz o educador, que apresentou os dados pela primeira vez neste mês, em uma conferência na Itália.
“Ainda vamos fracionar e analisar mais profundamente as estatísticas, mas já dá para perceber que os alunos religiosos brasileiros são bem menos fundamentalistas do que se esperava”, avalia Bizzo, que também é formado em Biologia e tem livros e trabalhos publicados sobre a história da teoria evolutiva. “É surpreendente. Algo que sugere que no futuro teremos uma população com uma interpretação mais elástica das doutrinas religiosas e mais sensível à ciência.”
Aos 15 anos, diz Bizzo, os jovens estão passando por uma fase de definição moral, em que consolidam suas opiniões sobre temas fundamentais relacionados à ética e à moralidade. “É um período crucial. Dificilmente os conceitos de certo e errado mudam depois disso.”
O questionário apresentava aos alunos 23 perguntas ou afirmações com as quais eles podiam concordar ou discordar em diferentes níveis. Mais de 70% disseram que se consideram pessoas religiosas e acreditam nas doutrinas de sua religião (52% católicos e 29% evangélicos, principalmente, além de 7,5% sem religião). Ao mesmo tempo, mais de 70% disseram que a religião não os impede de aceitar a evolução biológica; e 58%, que sua fé não contradiz as teorias científicas atuais. Cerca de 64% concordaram que “as espécies atuais de animais e plantas se originaram de outras espécies do passado”.
Só quando a evolução se aplica ao homem e à origem da vida, as respostas ficam divididas. Há um empate técnico, em 43%, entre aqueles que concordam e discordam que a vida surgiu naturalmente na Terra por meio de “reações químicas que transformaram compostos inorgânicos em orgânicos”. E também entre os que concordam (44%) e discordam (45%) que “o ser humano se originou da mesma forma como as demais espécies biológicas”.
Sensibilidade. Os pesquisadores chamam atenção para o fato de que nenhuma das respostas que seriam consideradas fundamentalistas, do ponto de vista religioso, ultrapassam a casa dos 29%, porcentagem de entrevistados que se declararam evangélicos (denominação em que a rejeição à teoria evolutiva costuma ser mais forte). Apenas em dois casos elas ultrapassam 20%: entre os alunos que “discordam totalmente” que o ser humano se originou da mesma forma que as outras espécies (24%) e que os primeiros seres humanos viveram no ambiente africano (26%).
“A porcentagem dos que rejeitam completamente a origem biológica do homem é menor que a de evangélicos da amostra, o que é uma surpresa, já que os evangélicos no Brasil costumam ser os mais fundamentalistas na interpretação do relato bíblico”, avalia Bizzo. “A teoria evolutiva é talvez a coisa mais difícil de ser aceita do ponto de vista moral pelos religiosos. Mesmo assim, os dados mostram que a juventude brasileira é sensível aos produtos da ciência.”
Divulgada em 1859, com a publicação de A Origem das Espécies, a teoria evolutiva de Charles Darwin propõe que todos os seres vivos têm uma ancestralidade comum, e que as espécies evoluem e se diversificam por meio de processos de seleção natural puramente biológicos, sem a necessidade de intervenção divina ou de forças sobrenaturais - um conceito amplamente confirmado pela ciência desde então.
Apesar de ser frequentemente (e erroneamente) resumida como “a lei do mais forte”, a teoria evolutiva é muito mais complexa que isso. A Origem das Espécies tinha 500 páginas, e Darwin ainda considerava isso muito pouco para explicá-la. Desde então, com o surgimento da genética e o desenvolvimento de várias outras linhas de pesquisa evolutiva, a complexidade da teoria só aumentou, dificultando ainda mais sua compreensão - e, possivelmente, sua aceitação - pelo público leigo.
“O problema é que a maioria dos estudantes - ainda mais com 15 anos - não tem muita clareza sobre o que está envolvido na teoria darwiniana. Com isso há o potencial de surgirem respostas contraditórias”, avalia o físico e teólogo Eduardo Cruz, professor do Departamento de Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Isso não tem a ver com a qualidade da pesquisa, mas com a pouca compreensão de temas tanto científicos quanto teológicos. Além do que, quando se trata de perguntas que envolvem a intimidade das pessoas, as respostas nem sempre são confiáveis. É como perguntar a rapazes de 15 anos se ainda são virgens.”
Aceitação. Uma pesquisa nacional realizada pelo Datafolha em 2010, com 4.158 pessoas acima de 16 anos, indicou que 59% dos brasileiros acreditam que o homem é fruto de um processo evolutivo que levou milhões de anos, porém guiado por uma divindade inteligente. Só 8% acreditam que o homem evoluiu sem interferência divina. Os dados também mostram que a aceitação da teoria evolutiva cresce de acordo com a renda e a escolaridade das pessoas - o que pode ou não estar relacionado a uma melhor compreensão da teoria.
“Há uma discussão se a aceitação depende do entendimento, e uma análise mais precisa será realizada, mas uma análise superficial dos dados não encontrou essa correlação”, afirma Bizzo sobre sua pesquisa, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Faculdade de Educação da USP. “Há indícios de que a compreensão básica seja acessível a todos e que a decisão de concordar que a espécie humana surgiu como todas as demais não depende de estudos aprofundados na escola.”
Para a filósofa e educadora Roseli Fischmann, os resultados da pesquisa são “compatíveis com a capacidade dos jovens de viver o mundo de descoberta da ciência sem abalar sua fé”.
“A fé, se bem sustentada, não é ameaçada pelo conhecimento científico”, diz Roseli, coordenadora da Pós-Graduação em Educação da Universidade Metodista e professora da USP. “Sozinhas, nem a ciência nem a religião garantem que o ser humano seja bom e que o bem comum seja alcançado. É preciso a presença da ética, do respeito a todo ser humano, da consciência da responsabilidade individual na construção do bem comum.”
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,jovens-brasileiros-conciliam-bem-ciencia-e-religiao,866620,0.htm?reload=y

Marcos Müller/AE
Futuro? Uma interpretação mais elástica das doutrinas religiosas e mais sensível à ciência
A conclusão flui de um questionário sobre religião e ciência respondido por estudantes de escolas públicas e privadas de todas as regiões do País, com média de 15 anos de idade. A base de dados e a metodologia usadas na pesquisa foram as mesmas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), segundo Bizzo, para garantir que os resultados fossem estatisticamente representativos da população estudantil brasileira. “É o primeiro dado com representatividade nacional sobre esse assunto para esta faixa etária”, diz o educador, que apresentou os dados pela primeira vez neste mês, em uma conferência na Itália.
“Ainda vamos fracionar e analisar mais profundamente as estatísticas, mas já dá para perceber que os alunos religiosos brasileiros são bem menos fundamentalistas do que se esperava”, avalia Bizzo, que também é formado em Biologia e tem livros e trabalhos publicados sobre a história da teoria evolutiva. “É surpreendente. Algo que sugere que no futuro teremos uma população com uma interpretação mais elástica das doutrinas religiosas e mais sensível à ciência.”
Aos 15 anos, diz Bizzo, os jovens estão passando por uma fase de definição moral, em que consolidam suas opiniões sobre temas fundamentais relacionados à ética e à moralidade. “É um período crucial. Dificilmente os conceitos de certo e errado mudam depois disso.”
O questionário apresentava aos alunos 23 perguntas ou afirmações com as quais eles podiam concordar ou discordar em diferentes níveis. Mais de 70% disseram que se consideram pessoas religiosas e acreditam nas doutrinas de sua religião (52% católicos e 29% evangélicos, principalmente, além de 7,5% sem religião). Ao mesmo tempo, mais de 70% disseram que a religião não os impede de aceitar a evolução biológica; e 58%, que sua fé não contradiz as teorias científicas atuais. Cerca de 64% concordaram que “as espécies atuais de animais e plantas se originaram de outras espécies do passado”.
Só quando a evolução se aplica ao homem e à origem da vida, as respostas ficam divididas. Há um empate técnico, em 43%, entre aqueles que concordam e discordam que a vida surgiu naturalmente na Terra por meio de “reações químicas que transformaram compostos inorgânicos em orgânicos”. E também entre os que concordam (44%) e discordam (45%) que “o ser humano se originou da mesma forma como as demais espécies biológicas”.
Sensibilidade. Os pesquisadores chamam atenção para o fato de que nenhuma das respostas que seriam consideradas fundamentalistas, do ponto de vista religioso, ultrapassam a casa dos 29%, porcentagem de entrevistados que se declararam evangélicos (denominação em que a rejeição à teoria evolutiva costuma ser mais forte). Apenas em dois casos elas ultrapassam 20%: entre os alunos que “discordam totalmente” que o ser humano se originou da mesma forma que as outras espécies (24%) e que os primeiros seres humanos viveram no ambiente africano (26%).
“A porcentagem dos que rejeitam completamente a origem biológica do homem é menor que a de evangélicos da amostra, o que é uma surpresa, já que os evangélicos no Brasil costumam ser os mais fundamentalistas na interpretação do relato bíblico”, avalia Bizzo. “A teoria evolutiva é talvez a coisa mais difícil de ser aceita do ponto de vista moral pelos religiosos. Mesmo assim, os dados mostram que a juventude brasileira é sensível aos produtos da ciência.”
Divulgada em 1859, com a publicação de A Origem das Espécies, a teoria evolutiva de Charles Darwin propõe que todos os seres vivos têm uma ancestralidade comum, e que as espécies evoluem e se diversificam por meio de processos de seleção natural puramente biológicos, sem a necessidade de intervenção divina ou de forças sobrenaturais - um conceito amplamente confirmado pela ciência desde então.
Apesar de ser frequentemente (e erroneamente) resumida como “a lei do mais forte”, a teoria evolutiva é muito mais complexa que isso. A Origem das Espécies tinha 500 páginas, e Darwin ainda considerava isso muito pouco para explicá-la. Desde então, com o surgimento da genética e o desenvolvimento de várias outras linhas de pesquisa evolutiva, a complexidade da teoria só aumentou, dificultando ainda mais sua compreensão - e, possivelmente, sua aceitação - pelo público leigo.
“O problema é que a maioria dos estudantes - ainda mais com 15 anos - não tem muita clareza sobre o que está envolvido na teoria darwiniana. Com isso há o potencial de surgirem respostas contraditórias”, avalia o físico e teólogo Eduardo Cruz, professor do Departamento de Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Isso não tem a ver com a qualidade da pesquisa, mas com a pouca compreensão de temas tanto científicos quanto teológicos. Além do que, quando se trata de perguntas que envolvem a intimidade das pessoas, as respostas nem sempre são confiáveis. É como perguntar a rapazes de 15 anos se ainda são virgens.”
Aceitação. Uma pesquisa nacional realizada pelo Datafolha em 2010, com 4.158 pessoas acima de 16 anos, indicou que 59% dos brasileiros acreditam que o homem é fruto de um processo evolutivo que levou milhões de anos, porém guiado por uma divindade inteligente. Só 8% acreditam que o homem evoluiu sem interferência divina. Os dados também mostram que a aceitação da teoria evolutiva cresce de acordo com a renda e a escolaridade das pessoas - o que pode ou não estar relacionado a uma melhor compreensão da teoria.
“Há uma discussão se a aceitação depende do entendimento, e uma análise mais precisa será realizada, mas uma análise superficial dos dados não encontrou essa correlação”, afirma Bizzo sobre sua pesquisa, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Faculdade de Educação da USP. “Há indícios de que a compreensão básica seja acessível a todos e que a decisão de concordar que a espécie humana surgiu como todas as demais não depende de estudos aprofundados na escola.”
Para a filósofa e educadora Roseli Fischmann, os resultados da pesquisa são “compatíveis com a capacidade dos jovens de viver o mundo de descoberta da ciência sem abalar sua fé”.
“A fé, se bem sustentada, não é ameaçada pelo conhecimento científico”, diz Roseli, coordenadora da Pós-Graduação em Educação da Universidade Metodista e professora da USP. “Sozinhas, nem a ciência nem a religião garantem que o ser humano seja bom e que o bem comum seja alcançado. É preciso a presença da ética, do respeito a todo ser humano, da consciência da responsabilidade individual na construção do bem comum.”
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,jovens-brasileiros-conciliam-bem-ciencia-e-religiao,866620,0.htm?reload=y
quinta-feira, 26 de abril de 2012
BEM VINDOS AO SEGUNDO BIMESTRE DE 2012.
Na primeira semana de maio iniciaremos nossas disciplinas relativas ao segundo bimestre de 2012. Neste período iremos abordar diversos eixos temáticos, compreendidos nos seguintes campos da Filosofia:
1º - Maio/Junho - Antropologia Filosófica ( início na página 44 do nosso livro)
Temas:
a) Natureza e Cultura;
b) Linguagem e Pensamento;
c) Trabalho, Alienação e Consumo;
d) Em busca da Felicidade;
e) Aprender a morrer...
2º - Junho/Julho - Ética ou Teoria do Valor (começa na página 210 do livro)
a) Entre o bem e o mal;
b) Ninguém nasce moral;
c) Podemos ser livre?
Em cada um destes temas iremos conhecer mais a história da filosofia, debatendo o pensamento de Platão e Aristóteles; Santo Agostinho e Tomaz de Aquino; Kant; Nietzsche, Marx e Sartre.
Os temas serão os mesmos para todas as turmas. O que irá variar é o grau de complexidade na abordagem dos temas, de acordo com a série que o aluno estiver realizando.
Vamos em frente em mais esta JORNADA.
professor Frederico
1º - Maio/Junho - Antropologia Filosófica ( início na página 44 do nosso livro)
Temas:
a) Natureza e Cultura;
b) Linguagem e Pensamento;
c) Trabalho, Alienação e Consumo;
d) Em busca da Felicidade;
e) Aprender a morrer...
2º - Junho/Julho - Ética ou Teoria do Valor (começa na página 210 do livro)
a) Entre o bem e o mal;
b) Ninguém nasce moral;
c) Podemos ser livre?
Em cada um destes temas iremos conhecer mais a história da filosofia, debatendo o pensamento de Platão e Aristóteles; Santo Agostinho e Tomaz de Aquino; Kant; Nietzsche, Marx e Sartre.
Os temas serão os mesmos para todas as turmas. O que irá variar é o grau de complexidade na abordagem dos temas, de acordo com a série que o aluno estiver realizando.
Vamos em frente em mais esta JORNADA.
professor Frederico
terça-feira, 17 de abril de 2012
Preparando nossas provas do primeiro bimestre.
Prezados alunos,
Embora eu já tenha feito esta recomendação, volto a lembrá-los: os temas centrais de nossos estudos no bimestre estão resumidos nos textos postados aqui no Blog. Vamos lembrá-los:
a) Experiência Filosófica: Um caminho para a verdade.
b) Cosmologia ou Filósofos da Natureza e Pensamento Mítico
d) Sócrates: Um resumo comentado (principalmente para as turmas do 2° e 3º anos seriados)
Observação: as provas serão realizadas entre os dias 23 e 27 de abril.
A todos ótimas reflexões.
professor Frederico
Embora eu já tenha feito esta recomendação, volto a lembrá-los: os temas centrais de nossos estudos no bimestre estão resumidos nos textos postados aqui no Blog. Vamos lembrá-los:
a) Experiência Filosófica: Um caminho para a verdade.
b) Cosmologia ou Filósofos da Natureza e Pensamento Mítico
d) Sócrates: Um resumo comentado (principalmente para as turmas do 2° e 3º anos seriados)
Observação: as provas serão realizadas entre os dias 23 e 27 de abril.
A todos ótimas reflexões.
professor Frederico
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Experiência Filosófica – Um caminho para a verdade.
Releiam o
texto abaixo. Ele sintetiza boa parte de nossa própria experiência filosófica
a) Nossos
sentidos podem nos enganar? b) Como posso saber se o que estou vendo é real ou
uma ilusão? c) Como usamos a razão para interpretar os dados que nossos
sentidos me revelam da realidade? d) A realidade é apenas o que os
sentidos me revelam? Neste caso como admitimos que um átomo existe
se não posso senti-lo? Um número qualquer, por exemplo, o número 5 ou o número
9, podem ser encontrados na natureza, ou eles são símbolos que nossa razão
criou? e) Deus existe? Para aqueles que consideram real sua existência como
podem afirmar isto se não podem vê-lo? A intuição (fonte do conhecimento direto ) pode ser uma maneira de me
indicar a existência de Deus?
Vamos
finalmente lembrar a famosa frase do filósofo Pascoal: "O coração tem razões que a própria
razão desconhece".
O que o
filósofo quis dizer com isto? Acertou quem respondeu nossas emoções, como
o amor, nossas paixões, a alegria, a dor emocional. Estas dimensões fazem
parte e são fundamentais na vida humana. Aprendemos com elas e elas não estão
na esfera da razão.
Para
facilitar criamos uma forma que ajuda a memorizar nossos recursos para
conhecimento da realidade, expresso nas seguintes letras: R.E.I.S, que significam: RAZÃO; EMOÇÃO; INTUIÇÃO E SENTIDOS. Com estes recursos os
seres humanos sabem que não é apenas com a razão que eles descobrem a
realidade.
Entender
estas dimensões considerando a forma como fazemos nossos julgamentos, como
desenvolvemos nossa capacidade crítica, como exercemos nossa cidadania, como
nos libertamos da "Caverna de Platão" constitui um dos fundamentos
centrais de nossos estudos. Como mestre de Platão, o filósofo Sócrates já havia
apontado um caminho para o conhecimento da realidade, através do
autoconhecimento, citando a célebre frase: “Conhece-te
a ti mesmo”. Sócrates entendia que dentro de cada um de nós estava o
caminho para a verdade, e nos conhecendo poderíamos superar todos os preconceitos,
os julgamentos ilusórios, distinguir o certo do errado, o justo do injusto e
descobrir o bem verdadeiro. Todos estes conhecimentos marcaram o início da
filosofia antiga, principalmente na Grécia Antiga.
TENDO
COMO BASE O TEXTO ACIMA FAÇA UMA REDAÇÃO COM O SEGUINTE TÍTULO:
COMO POSSO ENTENDER A FILOSOFIA COMO
UM CAMINHO PARA A VERDADE?
quarta-feira, 4 de abril de 2012
A EXPERIÊNCIA FILOSÓFICA
a) - Kant nos legou no seguinte ensinamento:
" Não é possível aprender qualquer filosofia (...) só é possível aprender a filosofar".
b) Muitos séculos antes Sócrates já havia apontado os caminhos deste aprendizado:
1 - Primeiro - Reconhecendo nossa ignorância (reconher que ignoramos), ao dizer: "Só sei que nada sei".
2 - Segundo - Fazendo da introspecção e do autoconhecimento o caminho para este aprendizado, adotando a célebre frase do templo de Apolo: "Conhece-te a ti mesmo".
" Não é possível aprender qualquer filosofia (...) só é possível aprender a filosofar".
b) Muitos séculos antes Sócrates já havia apontado os caminhos deste aprendizado:
1 - Primeiro - Reconhecendo nossa ignorância (reconher que ignoramos), ao dizer: "Só sei que nada sei".
2 - Segundo - Fazendo da introspecção e do autoconhecimento o caminho para este aprendizado, adotando a célebre frase do templo de Apolo: "Conhece-te a ti mesmo".
quarta-feira, 28 de março de 2012
FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS: EM BUSCA DAS LEIS DA NATUREZA
Pergunta:
Qual a principal diferença entre a explicação mitológica e a explicação racional da natureza?
Resposta:
a) Pela mitologia ou alegorias explicamos o universo de acordo com nossa imaginação. O mito pode dar explicações mágicas e contraditórias, possuindo elementos fantasiosos ou religiosos. A vontade dos deuses explicam os acontecimentos da natureza.
B) Pela razão buscamos as Leis da Natureza, que são permanentes, necessárias e previsíveis.
Os filósofos pré-socráticos buscaram superar o mito com as explicações racionais. Par eles o universo possuí leis, que podem ser percebidas pela razão, devendo existir uma essência (physis ou arché), permanente, imutável e imortal que justificam a existência das leis da natureza (também permanentes). A ebulição da água aquecida, a queda de um objeto, as estações do ano, o movimento das marés: todos estes fatos se repetem, segundo leis da natureza e podem ser conhecidos pela observação (sentidos) e pela razão.
Tomemos como exemplo a Origem do Universo:
A) Um mito pode explicar o surgimento do universo como uma criação divina, em que tudo (as estrelas, os planetas, o céu, os mares, os seres humanos) foi construído em um instante, resultando da vontade de Deus. Ou como relata o “Gênese” – de acordo com os relatos bíblicos hebraicos – tudo foi feito por Deus, em sete dias.
B) As pesquisas, tendo com base a razão, nos mostram que o universo surgiu em um processo de evolução ocorrido durantes bilhões e bilhões de anos. E que este processo de evolução pode ser compreendido e explicado pela nossa razão. Existem lei naturais que permitem explicar a origem do universo e prevê a evolução do seu futuro.
Responsabilidade do Texto: Frederico Drummond - professor de filosofia
segunda-feira, 26 de março de 2012
Sócrates: resumo comentado. Para registro em nossos cadernos.
Um dos importantes legados do filósofo Sócrates foi sua técnica dos Diálogos. Por isto Sócrates perguntava muito.
A Alegoria da Torre de Babel pode ser um fator que impede o exercício permanente dos Diálogos? O que vocês pensam?
Durante esta semana - 26 a 30 de março - iremos debater e fazer redação sobre isto. Vocês podem se preparar pesquisando mais sobre a vida de Sócrates.
Informações importantes sobre a vida de Sócrates:
1 - A mãe de Sócrates era parteira. O filósofo entendia que todas as pessoas poderiam chegar à verdade com o uso correto da razão. A verdade estava no interior das pessoas. O que ele como filósofo precisava fazer era ajudar no"parto" desta verdade abrigada no interior de cada um de nós. O nome desta técnica era "maiêutica" ( dar á luz - parto). Para isto o uso constante e criterioso dos Debates era fundamental.
2 - "Conhece-te a ti mesmo": Esta frase estava escrita no templo ao deus Apolo. Sócrates adotou-a como um princípio para auto-reflexão. Adotando esta prática os seres humanos podiam ir a procura das verdades universais e alcançar o bem e a virtude.
Por fazer do auto conhecimento a fonte da verdade o período socrático ficou conhecido como "Antropológico" ( anthropos, "homem").
3 - "Só sei que nada sei". Esta é uma das sentenças mais famosas de Sócrates. Considerado como um ou o maior sábio da Grécia Antiga, Sócrates fazia da "ignorância" do seu próprio conhecimento uma abertura para procurar sempre novos conhecimentos. Ao mesmo tempo estimulava às demais pessoas a se reconhecerem como ignorante como forma de não se fecharem em falsas verdades ou conhecimentos ultrapassados.
4 - "Apologia de Sócrates " - Livro em que o filósofo Platão relata o julgamento de Sócrates e sua condenação à morte, ingerindo cicuta (um tipo de veneno).
Os poderosos da Grécia consideravam a pregação de Sócrates pela verdade e a justiça uma forma de corromper a juventude.
Os juízes queriam que Sócrates abandonasse suas pregações, como forma dele se salvar. Sócrates considerava que fazendo isto ele estaria sendo conivente e tolerante com a "mentira dos juízes". O filósofo preferia a morte a ter que negar a verdade.
5 - Sócrates não deixou nada escrito. Tudo sobre ele foi relatado por seu maior discípulo o filósofo Platão.
Texto de autoria de Frederico Drummond - professor de filosofia
sábado, 24 de março de 2012
"SÓ SEI QUE NADA SEI": Com Sócrates iniciamos as fase Antropólogica da Grécia Antiga.
Sócates foi um divisor de períodos históricos. O fílosofos da Natureza eram chamados de pré-socráticos. Com Sócrates e seu discipulo Platão iremos conhecer uma das fases mais geniais da filosofia antiga. Faz parte deste período também o filósofo Aristóteles e os chamados sofistas.
Período socrático ou antropológico
Com o desenvolvimento das cidades, do comércio, do artesanato e das artes militares, Atenas tornou-se o centro da vida social, política e cultural da Grécia, vivendo seu período de esplendor, conhecido como o Século de Péricles.(...)
A Polis era marcada por muitas assembléias e debates. (...) Ora, para conseguir que a sua opinião fosse aceita nas assembléias, o cidadão precisava saber falar e ser capaz de persuadir. Com isso, uma mudança profunda vai ocorrer na educação grega. (...)
(...)Para dar aos jovens essa educação, substituindo a educação antiga dos poetas, surgiram, na Grécia, os sofistas, que são os primeiros filósofos do período socrático. Os sofistas mais importantes foram: Protágoras de Abdera, Górgias de Leontini e Isócrates de Atenas.
Que diziam e faziam os sofistas? Diziam que os ensinamentos dos filósofos cosmologistas estavam repletos de erros e contradições e que não tinham utilidade para a vida da polis. Apresentavam-se como mestres de oratória ou de retórica, afirmando ser possível ensinar aos jovens tal arte para que fossem bons cidadãos.
Que arte era esta? A arte da persuasão. Os sofistas ensinavam técnicas de persuasão para os jovens, que aprendiam a defender a posição ou opinião A, depois a posição ou opinião contrária, não-A, de modo que, numa assembléia, soubessem ter fortes argumentos a favor ou contra uma opinião e ganhassem a discussão.
O filósofo Sócrates, considerado o patrono da Filosofia, rebelou-se contra os sofistas, dizendo que não eram filósofos, pois não tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, defendendo qualquer idéia, se isso fosse vantajoso. Corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira valer tanto quanto a verdade.(...)
(...) Discordando dos antigos poetas, dos antigos filósofos e dos sofistas, o que propunha Sócrates?
Propunha que, antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria, primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. A expressão “conhece-te a ti mesmo” que estava gravada no pórtico do templo de Apolo, patrono grego da sabedoria, tornou-se a divisa de Sócrates.
Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros, é que se diz que o período socrático é antropológico, isto é, voltado para o conhecimento do homem, particularmente de seu espírito e de sua capacidade para conhecer a verdade.
O retrato que a história da Filosofia possui de Sócrates foi traçado por seu mais importante aluno e discípulo, o filósofo ateniense Platão.(...)
(...) Sócrates fazia perguntas sobre as idéias, sobre os valores nos quais os gregos acreditavam e que julgavam conhecer. Suas perguntas deixavam os interlocutores embaraçados, irritados, curiosos, pois, quando tentavam responder ao célebre “o que é?”, descobriam, surpresos, que não sabiam responder e que nunca tinham pensado em suas crenças, seus valores e suas idéias.(...)
(...) Sócrates nunca escreveu. O que sabemos de seus pensamentos encontra-se nas obras de seus vários discípulos, e Platão foi o mais importante deles. Se reunirmos o que esse filósofo escreveu sobre os sofistas e sobre Sócrates, além da exposição de suas próprias idéias, poderemos apresentar como características gerais do período socrático:
● A Filosofia se volta para as questões humanas no plano da ação, dos comportamentos, das idéias, das crenças, dos valores e, portanto, se preocupa com as questões morais e políticas.
● O ponto de partida da Filosofia é a confiança no pensamento ou no homem como um ser racional, capaz de conhecer-se a si mesmo e, portanto, capaz de reflexão. Reflexão é a volta que o pensamento faz sobre si mesmo para conhecer-se; é a consciência conhecendo-se a si mesma como capacidade para conhecer as coisas, alcançando o conceito ou a essência delas.
● Como se trata de conhecer a capacidade de conhecimento do homem, a preocupação se volta para estabelecer procedimentos que nos garantam que encontramos a verdade, isto é, o pensamento deve oferecer a si mesmo caminhos próprios, critérios próprios e meios próprios para saber o que é o verdadeiro e como alcançá-lo em tudo o que investiguemos.
● A Filosofia está voltada para a definição das virtudes morais e das virtudes políticas, tendo como objeto central de suas investigações a moral e a política, isto é, as idéias e práticas que norteiam os comportamentos dos seres humanos tanto como indivíduos quanto como cidadãos.
● Cabe à Filosofia, portanto, encontrar a definição, o conceito ou a essência dessas virtudes, para além da variedade das opiniões, para além da multiplicidade das opiniões contrárias e diferentes. As perguntas filosóficas se referem, assim, a valores como a justiça, a coragem, a amizade, a piedade, o amor, a beleza, a temperança, a prudência, etc., que constituem os ideais do sábio e do verdadeiro cidadão.
● É feita, pela primeira vez, uma separação radical entre, de um lado a opinião e as imagens das coisas, trazidas pelos nossos órgãos dos sentidos, nossos hábitos, pelas tradições, pelos interesses, e, de outro lado, as idéias. As idéias se referem à essência íntima, invisível, verdadeira das coisas e só podem ser alcançadas pelo pensamento puro, que afasta os dados sensoriais, os hábitos recebidos, os preconceitos, as opiniões.
● A reflexão e o trabalho do pensamento são tomados como uma purificação intelectual, que permite ao espírito humano conhecer a verdade invisível, imutável, universal e necessária.
● A opinião, as percepções e imagens sensoriais são consideradas falsas, mentirosas, mutáveis, inconsistentes, contraditórias, devendo ser abandonadas para que o pensamento siga seu caminho próprio no conhecimento verdadeiro.
● A diferença entre os sofistas, de um lado, e Sócrates e Platão, de outro, é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão, enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais, ou imagens das coisas, como fonte de erro, mentira e falsidade, formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade.
Texto da professora livre docente Marilena Chaui. Seleção livre - professor Frederico Drummond
Período socrático ou antropológico
Com o desenvolvimento das cidades, do comércio, do artesanato e das artes militares, Atenas tornou-se o centro da vida social, política e cultural da Grécia, vivendo seu período de esplendor, conhecido como o Século de Péricles.(...)
A Polis era marcada por muitas assembléias e debates. (...) Ora, para conseguir que a sua opinião fosse aceita nas assembléias, o cidadão precisava saber falar e ser capaz de persuadir. Com isso, uma mudança profunda vai ocorrer na educação grega. (...)
(...)Para dar aos jovens essa educação, substituindo a educação antiga dos poetas, surgiram, na Grécia, os sofistas, que são os primeiros filósofos do período socrático. Os sofistas mais importantes foram: Protágoras de Abdera, Górgias de Leontini e Isócrates de Atenas.
Que diziam e faziam os sofistas? Diziam que os ensinamentos dos filósofos cosmologistas estavam repletos de erros e contradições e que não tinham utilidade para a vida da polis. Apresentavam-se como mestres de oratória ou de retórica, afirmando ser possível ensinar aos jovens tal arte para que fossem bons cidadãos.
Que arte era esta? A arte da persuasão. Os sofistas ensinavam técnicas de persuasão para os jovens, que aprendiam a defender a posição ou opinião A, depois a posição ou opinião contrária, não-A, de modo que, numa assembléia, soubessem ter fortes argumentos a favor ou contra uma opinião e ganhassem a discussão.
O filósofo Sócrates, considerado o patrono da Filosofia, rebelou-se contra os sofistas, dizendo que não eram filósofos, pois não tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, defendendo qualquer idéia, se isso fosse vantajoso. Corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira valer tanto quanto a verdade.(...)
(...) Discordando dos antigos poetas, dos antigos filósofos e dos sofistas, o que propunha Sócrates?
Propunha que, antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria, primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. A expressão “conhece-te a ti mesmo” que estava gravada no pórtico do templo de Apolo, patrono grego da sabedoria, tornou-se a divisa de Sócrates.
Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros, é que se diz que o período socrático é antropológico, isto é, voltado para o conhecimento do homem, particularmente de seu espírito e de sua capacidade para conhecer a verdade.
O retrato que a história da Filosofia possui de Sócrates foi traçado por seu mais importante aluno e discípulo, o filósofo ateniense Platão.(...)
(...) Sócrates fazia perguntas sobre as idéias, sobre os valores nos quais os gregos acreditavam e que julgavam conhecer. Suas perguntas deixavam os interlocutores embaraçados, irritados, curiosos, pois, quando tentavam responder ao célebre “o que é?”, descobriam, surpresos, que não sabiam responder e que nunca tinham pensado em suas crenças, seus valores e suas idéias.(...)
(...) Sócrates nunca escreveu. O que sabemos de seus pensamentos encontra-se nas obras de seus vários discípulos, e Platão foi o mais importante deles. Se reunirmos o que esse filósofo escreveu sobre os sofistas e sobre Sócrates, além da exposição de suas próprias idéias, poderemos apresentar como características gerais do período socrático:
● A Filosofia se volta para as questões humanas no plano da ação, dos comportamentos, das idéias, das crenças, dos valores e, portanto, se preocupa com as questões morais e políticas.
● O ponto de partida da Filosofia é a confiança no pensamento ou no homem como um ser racional, capaz de conhecer-se a si mesmo e, portanto, capaz de reflexão. Reflexão é a volta que o pensamento faz sobre si mesmo para conhecer-se; é a consciência conhecendo-se a si mesma como capacidade para conhecer as coisas, alcançando o conceito ou a essência delas.
● Como se trata de conhecer a capacidade de conhecimento do homem, a preocupação se volta para estabelecer procedimentos que nos garantam que encontramos a verdade, isto é, o pensamento deve oferecer a si mesmo caminhos próprios, critérios próprios e meios próprios para saber o que é o verdadeiro e como alcançá-lo em tudo o que investiguemos.
● A Filosofia está voltada para a definição das virtudes morais e das virtudes políticas, tendo como objeto central de suas investigações a moral e a política, isto é, as idéias e práticas que norteiam os comportamentos dos seres humanos tanto como indivíduos quanto como cidadãos.
● Cabe à Filosofia, portanto, encontrar a definição, o conceito ou a essência dessas virtudes, para além da variedade das opiniões, para além da multiplicidade das opiniões contrárias e diferentes. As perguntas filosóficas se referem, assim, a valores como a justiça, a coragem, a amizade, a piedade, o amor, a beleza, a temperança, a prudência, etc., que constituem os ideais do sábio e do verdadeiro cidadão.
● É feita, pela primeira vez, uma separação radical entre, de um lado a opinião e as imagens das coisas, trazidas pelos nossos órgãos dos sentidos, nossos hábitos, pelas tradições, pelos interesses, e, de outro lado, as idéias. As idéias se referem à essência íntima, invisível, verdadeira das coisas e só podem ser alcançadas pelo pensamento puro, que afasta os dados sensoriais, os hábitos recebidos, os preconceitos, as opiniões.
● A reflexão e o trabalho do pensamento são tomados como uma purificação intelectual, que permite ao espírito humano conhecer a verdade invisível, imutável, universal e necessária.
● A opinião, as percepções e imagens sensoriais são consideradas falsas, mentirosas, mutáveis, inconsistentes, contraditórias, devendo ser abandonadas para que o pensamento siga seu caminho próprio no conhecimento verdadeiro.
● A diferença entre os sofistas, de um lado, e Sócrates e Platão, de outro, é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão, enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais, ou imagens das coisas, como fonte de erro, mentira e falsidade, formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade.
Texto da professora livre docente Marilena Chaui. Seleção livre - professor Frederico Drummond
“Metáforas da Globalização” – Octavio Ianni - A TORRE DE BABEL
Texto de Saulo Maurício Silva Lobo – 1º ano de Filosofia -
Fonte: http://meuartigo.brasilescola.com/filosofia/metaforas-globalizacao-octavio-ianni.htm
Fonte: http://meuartigo.brasilescola.com/filosofia/metaforas-globalizacao-octavio-ianni.htm
Octavio Ianni em seu texto vai discorrer sobre a Globalização a partir de metáforas comumente usadas para designar o fenômeno. Termos já legitimados por grandes autores e pensadores e correntemente utilizados em suas obras, tais quais aldeia global, fábrica global, shopping center global, sistema mundo etc.
Ao fim do século XX, o mundo passa por grandes mudanças, pois o própria homem as está sofrendo. Já não há mais uma concepção de que o globo seja meramente a soma de estados-nações relativamente interdependentes. Já não é mais colonialismo, imperialismo, bi e multilateralismo. Desde o século XIX o homem vem progressivamente mudando sua maneira de enxergar a si e a esse mesmo mundo, através da influência das obras de Copérnico, Darwin, Freud, Adam Smith, David Ricardo etc.
Nesse clima de reflexão e imaginação, se multiplicam as metáforas. Mesmo em obras teóricas elas são utilizadas com abundância para tentar explicar o fenômeno da globalização. Talvez por uma carência das próprias Ciências Sociais. O fato é que a questão da Globalização tal qual ela se apresenta configurada na atualidade pode realmente ser colocada de modo inovador. Talvez disso advenha essa carência.
A própria Globalização se utiliza bastante de imagens na era da mídia, som-imagem, eletrônica e informática em que nos encontramos. Nada mais natural do que se utilizar desses próprios recursos para a tentativa de explicação do fenômeno. Entretanto, o autor ao abordar a questão, salienta, que mais do que simplesmente uma imagem, as metáforas são utilizadas em forma de parábolas e alegorias, reflexo das próprias mudanças sofridas pelo homem e sua maneira de pensar e fabular.
Essas metáforas, com aquilo que sugerem, contribuem para uma melhor contribuição do que vem a ser globalização. Assim, o autor discorre um pouco sobre cada uma das metáforas por ele assinaladas, mostrando assim o que cada uma ajuda a elucidar, e que aspecto cada uma ressalta.
Aldeia Global dá a idéia de comunidade global, com toda a abertura trazida pela eletrônica e as facilidades da informática. Sugere assim, uma harmonização e homogeneização progressivas no que se refere á organização, funcionamento e mudanças da vida social.
Fábrica global destaca o quão fácil é movimentar a produção de mercadorias no mundo capitalista, mudando mais rapidamente a produção para locais que ofereçam melhores condições e mais facilidades e estímulos. Aliás, desde o princípio o capitalismo teve esse caráter multinacional, transnacional, mundial em sua produção, pois logo buscou se expandir além-fronteiras.
A nave espacial traz consigo a idéia da aventura, o desconhecido e o incógnito; uma travessia que pode ser impossível. É um tanto pessimista, poderia bem ser o emblema da modernidade desenvolvida no século XX prenunciando o XXI.
Essa mesma metáfora esconde ainda outra, que até a agrava: a da Torre de Babel, que salienta o caráter de caos e desordem que pode se esconder sob o disfarce de harmonia e integração tão difundido pelos defensores do fenômeno.
Ianni conclui o texto delineando o caráter utópico-nostálgico, tão bem expresso nas metáforas (e pelo simples fato de a elas se recorrer) que perpassa o tema da globalização.
“As guerras nascem no espírito dos homens..."
A CONSTRUÇÃO DA PAZ É NOSSA RESPONSABILIDADE. E EXISTE UMA PEDAGOGIA PARA ISTO:
Assim como Pascal falava do "coração" como sede do amor, podemos buscar na ética de Aristóteles os princípios dos valores universais em defesa da paz, como postula a citação abaixo promovida pela UNESCO.
Existe uma pedagogia da Paz desenvolvida originalmente na Universidade Federal de MG e depois, aprofundada pela Universidade Internacional da Paz (UNIPAZ) com sede em Brasília. Sua base é o livro do professor Pierre Weil e é conhecido como "A arte de Viver em Paz".
“As guerras nascem no espírito dos homens, e é nele, primeiramente, que devem ser erguidas as defesas da paz. Poderíamos dar a esta tese o nome de ‘ecologia interior ou pessoal’”. ( UNESCO)
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quinta-feira, 22 de março de 2012
Cosmologia ou Filosofia da Natureza: resumo para seu caderno.
Vamos resumir o que estamos estudando agora.
Nas últimas aulas apresentamos a estrutura do pensamento dos chamados filósofos pré-socráticos, também conhecidos como filósofos da natureza ou período Cosmológico. Na transição do Mito para a Razão os filósofos buscam uma explicação racional para a criação e existência do universo. Buscam entender como o universo passa do Caos para a Ordem, obedecendo a Leis permanentes. Acreditam que exista um princípio ou uma essência que expliquem a existência destas Leis e que estas podem ser descoberta pela razão. Entendem que os sentidos nos mostram apenas coisas transitórias, que não explicariam a permanência das Leis da Natureza. A busca deste "princípio natural" permanente, eterno e imperecível é uma tarefa da razão. Este princípio é chamado de "physis". Os principais filósofos desta fase são: Tales de Mileto, Anaxímenes, Heráclito, Pitágoras, Demócrito, Parmênides, entre outros. A "physis embora eterna e imortal não teria o mesmo sentido que os Hebreus atribuíam a Deus, como criador do Universo.
Resumo: Prof. Frederico Drummond
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