quarta-feira, 28 de setembro de 2011

NUNCA MAIS DUVIDEM DE NOSSA CAPACIDADE DE MOBILIZAÇÃO.

Sobre o fim da greve fizemos uma opção sensata. Além da vitória econômica, temos uma vitória social e política. Criamos uma organização dos trabalhadores mineiros sem precedentes em nossa história. Este patrimônio político é nosso. Qualquer governo terá que pensar duas vezes antes de tentar comprometer nossas carreiras e a qualidade da educação.  E vamos acompanhar passo a passo as negociações. Hoje temos capacidade de articulação, como nunca tivemos. Então é bom não tripudiarem sobre o acordo acertado. No site da Secretaria de Educação um texto diz que o que foi acertado, foi a mesmo proposta apresentada em julho de 2011.
Diz o texto: " Esta proposta é a mesma que havia sido apresentada pelo Governo de Minas ao Sindicato, em reunião realizada em julho de 2011 com a presença de parlamentares."
Não foi.
Naquela ocasião não houve disposição de reconhecer o Piso e a Carreira. Senhora secretária: não tente diminuir nossa vitória e não brinquem com a capacidade de mobilização dos professores. Não iremos aceitar qualquer tipo de trapaça e retomamos a greve com maior força e maior aprendizado. NUNCA MAIS DUVIDEM DE NOSSA CAPACIDADE DE MOBILIZAÇÃO.


Frederico Drummond - professor de filosofia

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Aos meus alunos, a seus pais e aos colegas professores: uma luta em defesa da Lei.

Prezados alunos,

Deste o início da presente greve dos professores de MG eu sempre procurei manter uma postura de transparência em meus atos e meus comunicados. Participar desta greve constituia uma aula de cidadania de nosssa disciplina de Filosofia Política. De fato, se a educação e o ensino da filosofia prima-se pela busca coerente do pensamento e da ação eu não poderia agir de outra forma. Hoje, com aproximadamente 75 dias de greve, registramos um fato da maior importância: foi publicado o Acórdão do Supremo Tribunal Federal que garante constitucionamente  nosso direito na defesa da Lei que implantou o Piso Nacional de Salários para os professores, em todo o país. Veja um resumo do texto publicado hoje:

Acórdão da ADI 41 67 - Ementa:

 
CONSTITUCIONAL. FINANCEIRO. PACTO FEDERATIVO E REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIA. PISO NACIONAL PARA OS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA. CONCEITO DE PISO: VENCIMENTO OU REMUNERAÇÃO GLOBAL. RISCOS FINANCEIRO E ORÇAMENTÁRIO. JORNADA DE TRABALHO: FIXAÇÃO DO TEMPO MÍNIMO PARA DEDICAÇÃO A ATIVIDADES EXTRACLASSE EM 1/3 DA JORNADA. ARTS. 2º, §§ 1º E 4º, 3º, CAPUT, II E III E 8º, TODOS DA LEI 11.738/2008. CONSTITUCIONALIDADE. PERDA PARCIAL DE OBJETO.

1. Perda parcial do objeto desta ação direta de inconstitucionalidade, na medida em que o cronograma de aplicação escalonada do piso de vencimento dos professores da educação básica se exauriu (arts. 3º e 8º da Lei 11.738/2008).
2. É constitucional a norma geral federal que fixou o piso salarial dos professores do ensino médio com base no vencimento, e não na remuneração global. Competência da União para dispor sobre normas gerais relativas ao piso de vencimento dos professores da educação básica, de modo a utilizá-lo como mecanismo de fomento ao sistema educacional e de valorização profissional, e não apenas como instrumento de proteção mínima ao trabalhador.
3. É constitucional a norma geral federal que reserva o percentual mínimo de 1/3 da carga horária dos docentes da educação básica para dedicação às atividades extraclasse.
Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente. Perda de objeto declarada em relação aos arts. 3º e 8º da Lei 11.738/2008.
STF. ADI 4167. Relator Ministro Joaquim Barbosa. Divulgação: DJe de 23.08.2011, pág 27. publicação em 24.08.2011

Para alguns alunos pode parecer estranho porque um Governo Estadual descumpre uma lei. Todavia isto acontece. O sistema jurídico no Brasil da margem a isto. Mas estes embates fazem parte da democracia. Todavia quando o próprio Governo Estadual (no caso o governo de MG) perde uma ação de acordo com a interpretação do Supremo o único ato digno que se espera é que ele cumpra o que determina a Lei.
Desta forma, prezados alunos, continuaremos com uma GREVE DE VIGILÂNCIA: ou seja, a greve será mantida até que o governo estadual cumpra integralmente o que determinou a Lei Federal. Esta é nossa aula  maior aula de cidadania deste ano. E podem estar certos de uma coisa: todos nós estamos fazendo história. Estamos fazendo uma história que em nada difere da história de personagens que muito respeitamos como O Tiradentes.  

Um abraço a todos.

Frederico Drummond - professor de filosofia

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Agosto 2011. Revisão geral do nosso Planejamento Anual Pedagógico de Filosofia. Confira:

Um dos segredos de um bom desempenho no estudo da filosofia é termos sempre presente nosso plano de estudos. A natureza transdisciplinar deste conhecimento nos leva, muitas vezes, aprofundar a investigação de um tema, além do programado. Isto não é um problema. Apenas não podemos perder nosso mapa. Vamos revê-lo:
1º Bimestre:
O estudo do Ser Humano (Antropologia Filosófica), privilegiando os estudos da a) Natureza e Cultura e b) Corpo e Psiquismo. Aqui fazemos a pergunta: O QUE É SER HUMANO? O QUE É A PESSOA? Tais perguntas nos levam para a investigação desta singularidade que é a Consciência e mais, a Autoconsciência ( O Ser Humano Sabe que Sabe).
Aqui iniciamos também o estudo da Ontologia (Onto=Ser - Logos=Conhecimento).  Qual é a essência do Ser?
2º Bimestre
As reflexões são centradas na Ética e na Filosofia Política. Especial atenção é dedicada à Teogia do Valor, conhecida como Axilologia.
3º Bimestre
Início do estudo da Teoria do Conhecimento ou Epistemologia. Desde a Alegoria de Caverna, de Platão, até filmes compemporâneo como Matrix fazemos a pergunta: O que é o real?
Pesquisamos neste período também os fundamentos da Lógica. Lembrete prático: o sistema de Planilhas Eletrônicas, tipo Excel, é todo estruturado em Lógica Formal.
4 º Bimestre
Prosseguimos o estudo da Teoria do Conhecimento.

Outro lembrete: em todos os Eixos Temáticos iremos apresentar um período da História da Filosofia, assim estruturado:

a) Antiguidade Clássica - Da Mitologia, passando pelo período Cosmológico, depois pelo período Antropológico (Sócrates e Platão) até Aristóteles e os Sofistas.
b) Idade Média: a) a Patrística - Com início em Santo Agostinho e depois Tomaz de Aquino (Escolática);
c) Renascença - com as contribuições de Maquiavel e da Reforma Protestante;
d) Era Moderna - Examinando o grande salto do pensamento de Descarte (Dúvida Metódica), Hobes e Espinosa (retomada do conceito de Imanência)
e) Iuminismo - Estudos do pensamento de Kant e Rousseau ( O Contrato Social);
f) Era Contemporânea - com destaque para os gigantes do pensamento como Nietzsche, Hedegger, Hegel, Conte, Sartre e Marx.

É uma estimulante jornada. Vamos prosseguir em nossa viagem

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Agendada nova reunião entre o Mistério Público Estadual, Sind-UTE/MG e Governo

Na reunião de hoje (10.8) ficou acertado que o Governo Mineiro irá apresentar, na próxima terça-feira (16.8), às 10h, na sede do Ministério Público Estadual (MPE), à Av. Álvares Cabral, 1.690, em nova rodada de negociação, os números de quantos trabalhadores retornaram à remuneração de vencimento básico e quantos permaneceram no subsídio. O prazo limite para esta definição foi hoje, dia 10 de agosto, em todo Estado.
Na ocasião, o governo reafirmou sua intenção de investir no subsídio como forma de remuneração. O Sind-UTE/MG também reafirmou a necessidade de discutir o Piso Salarial no vencimento básico, por entender que é a aplicação correta da Lei Federal 11.738/08 e que trará a valorização para toda a categoria.
“Este resultado é fundamental para os trabalhadores na negociação junto ao Governo de Minas, pois irá mostrar a realidade e a opção feita pela categoria. As secretárias consultarão o Governador sobre a possibilidade de apresentar a tabela do Piso Salarial no vencimento básico e também o cálculo de impacto financeiro dessa proposta na reunião que será realizada na sede do MPE, no próximo dia 16”, informou a coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG), Beatriz Cerqueira, ao final da rodada de negociação, que durou mais de três horas. O Sind-UTE/MG apresentou ainda a sua discordância de contratação para o 3º ano do Ensino Médio e informou ao MPE de que o Estado contratará pessoas sem formação para substituir a categoria em greve.
Participaram da reunião a coordenadora da Promotoria Estadual de Defesa da Educação do MPE, Maria Elmira Dick, o procurador-geral de Justiça Adjunto, Geraldo Vasques, além de diretores do Sind-UTE/MG e as secretárias de Estado da Educação, Ana Lúcia Gazolla e a de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena.
A greve foi deflagrada em 08 de junho último e, desde então, a categoria intensifica esforços na tentativa de abrir negociação com o governo do Estado, que se nega a implantar a Lei 11.738/08, que institui o Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN). Em assembleia ocorrida nessa terça-feira (9.8), mais de sete mil trabalhadores em educação, coordenados pelo Sind-UTE/MG decidiram pela continuidade da greve da rede estadual.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

APOLOGIA DE SÓCRATES - Platão e a greve de fome das professaras de Ipatinga (MG).

Acabo de ler um comunicado no Portal Vi o Mundo informando que professoras de Ipatinga (MG), em um ato limite, pelo descaso da administração pública nos pleitos dos educadores por melhores condições de trabalho, resolveram entrar em GREVE DE FOME. Sem dúvida um ato de despero daqueles que percebem a total insensibilidade dos nossos governantes e colocam a própria vida como último recurso na busca da verdade. Em seu Blog a coordenadora estadual do Sind-UTE-MG, Beatriz Cerqueira faz o seguinte comentário:

"Desde o anúncio de que as diretoras do Sind-UTE/MG – subsede de Ipatinga, Cida Lima e Feliciana Saldanha iniciaram uma ‘GREVE DE FOME’ contra o descaso da administração municipal com a Educação, seus profissionais, pais, mães e alunos, tem ouvido diversas análises e indagações. A principal delas tem relação com os efeitos desse ato. Os questionamentos são decorrentes da constatação do assombroso grau de irresponsabilidade política e da falta de sensibilidade da administração municipal com as demandas populares. Além disso, a sociedade capitalista vê sempre a vida como um ato de sobrevivência, o trabalho como batalha para ganhar o pão e a relação humana como concorrência. Numa cultura assim, a luta coletiva e a busca do bem comum parece ser mais do que utopia. Parece ingenuidade, falta de maturidade política.(...)" - http://blogdabeatrizcerqueira.blogspot.com/


Este ato das professoras de Ipatinga nos traz à lembrança uma de nossas aulas de filosofia sobre o texto
APOLOGIA DE SÓCRATES, escrito por Platão. Eis abaixo o texto dos nossos comentários:


(...) Amor é compromisso
com algo mais terrível do que o amor?(...)
(Poema: Mineração do Outro – Carlos Drummmond de Andrade)



Um texto escrito por Platão citando outro filósofo paradigmático e, que independentemente de ter sido historicamente real, é tão real quanto a força dramática do trecho do poema de Drummond de Andrade transcrito acima.

Qual a essência da “Apologia”? – De uma forma quase grosseira, diria que a obra é um libelo em defesa da Verdade. Mas de que verdade estamos falando, uma vez que esta verdade é um compromisso com uma coerência, daquilo que Sócrates tinha como mais valioso que a própria vida. A Verdade pode ser terrível? Sem dúvida e, nesta medida, ela chega ser “não humana”; ela é divina. É uma medida da dimensão absoluta de Deus, assim como acreditava Sócrates.
Sendo acusado de subverção e de ateísmo, Sócrates é levado a julgamento e finalmente, condenado à morte.
Na Apologia Platão pretende reproduzir a defesa de Sócrates perante seus acusadores e sua postura perante a sentença.
Para Sócrates, ao acusá-lo, seus juizes praticavam um ato ignóbil, injusto e maldoso. Cabia a Sócrates através dos seus argumentos impedir seus juizes de cometer uma maldade; esta era o sentido de sua defesa. Sócrates não receava sua condenação; mas sendo condenado, não teria sido capaz de impedir os seus juizes de alcançar a verdade.
Assim podemos dizer de nossos colegas educadores.Uma luta que se iniciou (e continua) pelo cumprimento de uma Lei Federal pelo governo de MG, na implantação do Piso Nacional de Salário, hoje vai além disto. A luta de todos nós alcançou a dimensão que que nos ensina Paulo Freire, educador que anda meio esquecido das atuais gerações, como prática de educação para a liberdade:


"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda."


Desta forma ter Paulo Freire e os escritos de Platão como referência nos auxilia em perserverar na construção de uma sociedade justa. Talvez este seja um dos nossos maiores desafios hoje: re-humanizar os espaços em que vivemos como prática liberdade, iniciando com o próprio espaço das escolas em que lecionamos.
No momento é difícil avaliar as consequências do corajoso ato das colegas de Ipatinga, mas sem dúvida temos um responsável: o descaso da administração pública com a educação.

Frederico Drummond - Professor de Filosofia

terça-feira, 26 de julho de 2011

Nas fronteiras da Teoria do Conhecimento: o que nos espera no segundo semestre do ano.

Olá prezados alunos,

O recesso de julho está terminando. Vamos nos preparar para iniciar nossos estudos sobre a Teoria do Conhecimento. Para aquecer podemos inicar fazendo pesquisa sobre os seguintes conceitos:

a) Epistemologia - de que se trata?

b) Cognição: o que é isto?

c) Se os meus sentidos podem me enganar como posso ter certeza sobre meus conhecimentos?


Bom aquecimento

Professor Frederico

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A adesão à greve dos professores do ensino estadual é um ato de educação cidadã, como nos ensina o mestre Paulo Freire.

A escola pública deveria ser o mecanismo de ensino por excelência, tendo-se consciência que o próprio Estado deverá estar sujeito a disputas hegemônicas entre representantes do capital e representantes do trabalho. E que o resultado destas disputas irá expressar um maior ou menor conteúdo de verdadeira feição democrática no ensino. A ...luta por qualidade no ensino público é também uma luta política, no sentido que lhe atribui a filosofia. A adesão à greve dos professores do ensino estadual é um ato de educação cidadã, como nos ensina o mestre Paulo Freire em seu livro Educação como Prática da Liberdade. Também citando Freire:

"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda."

Desta forma ter Paulo Freire como referência nos auxilia em perserverar na construção de uma sociedade justa. Talvez este seja um dos nossos maiores desafios hoje: re-humanizar os espaços em que vivemos como prática liberdade, iniciando com o próprio espaço das escolas em que lecionamos.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

"O que é uma sociedade justa e ideal" ? - pergunta Platão em sua obra A República.

Observação: a fonte destes dados não é acadêmica. Mas constitui um roteiro válido para conhecermos os principais filósofos que fizeram reflexões no campo da política.

Filosofia política é o campo da investigação filosófica que se ocupa da política e das relações humanas consideradas em seu sentido coletivo.
Na Antiguidade grega e romana (principalmente na primeira), discutia-se os limites e as possibilidades de uma sociedade justa e ideal (Platão, com sua obra A república). Mas o que se tornou célebre, por se tornar a teorização da prática política grega, em particular de Atenas, foi o tema do bem comum (Aristóteles), representado pelo homem político, compreendido como o cidadão habitante da pólis, o homem politikós que opinando e reunindo-se livremente na ágora, junto a seus pares, discute e delibera acerca das leis e das estruturas da sociedade. O homem político teria o seu espaço de atuação privilegiada na esfera pública, no átrio, no senado, em oposição à esfera privada dos indivíduos, representada pela casa, pelo lar, pelos negócios domésticos. Já em Roma, Cícero teorizou a República como espaço das liberdades cívicas, em que ocorre uma complementaridade entre os senadores e a plebe (tese retomada no século XVI por Maquiavel).
Desde fins da Idade Média, a Filosofia Política e os pensadores tratam das mais variadas questões sobre a legitimação e a justificação do Estado e do governo:
- os limites e a organização do Estado frente ao indíviduo (Thomas Hobbes, John Locke, barão de Montesquieu, J.-J Rousseau);
- as relações gerais entre sociedade, Estado e moral (Nicolau Maquiavel, Augusto Comte, Antonio Gramsci);
- as relações entre a economia e política (Karl Marx, F. Engels, Max Weber);
- o poder como constituidor do "indivíduo" (Michel Foucault);
- as questões sobre a liberdade (Benjamin Constant, John Stuart Mill, Isaiah Berlin, Hannah Arendt, Raymond Aron, Norberto Bobbio, Phillip Pettit);
- as questões sobre justiça e Direito (Immanuel Kant, F. W. Hegel, John Rawls, Jürgen Habermas, Michael Sandel)e
- as questões sobre participação e deliberação (Carole Pateman, Habermas, Joshua Cohen).
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_pol%C3%ADtica

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Para entender Filosofia Política: Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?

Da Página do MST
O jornal O Globo publicou uma reportagem no domingo para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção.
Para fazer a matéria, os repórteres Jaqueline Falcão e Marcus Vinicius Gomes entrevistaram os organizadores das manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais e da legalização da maconha. E a Coordenação Nacional do MST.
A repórter Jaqueline Falcão enviou as perguntas por correio eletrônico, que foram respondidas pela integrante da coordenação do MST, Marina dos Santos, e enviadas na quinta-feira em torno das 18h, dentro do prazo.
A repórter até então interessada não entrou mais em contato. E a reportagem saiu só no domingo. E as respostas não foram aproveitadas.
Por que será?
Abaixo, leia as respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST que não saíram em O Globo.
Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?
Arrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações — privataria — e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos — tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.
Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.
Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal — ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato — também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?
O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.
Por que não vemos indignação contra a corrupção?
Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.
Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas.
As multidões vão às ruas pela marcha da maconha, MST, Parada Gay…e por que não contra a corrupção?
Porque é preciso ter credibilidade junto ao povo para se fazer um chamamento popular. Ter o monopólio da mídia não é suficiente para determinar a vontade e ação do povo. Se fosse assim, os tucanos não perderiam uma eleição, o presidente Hugo Chávez não conseguiria mobilizar a multidão dos pobres em seu país e o governo Lula não terminaria seus dois mandatos com índices superiores a 80% de aprovação popular.
Os conluios de grupos partidários-políticos com a mídia, marcantes na legislação passada de estados importantes — como o de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul — mostraram-se eficazes para sufocar as denúncias de corrupção naqueles governos. Mas foram ineficazes na tentativa de que o povo não tomasse conhecimento da existência da corrupção. Logo, a credibilidade de ambos, mídia e políticos, ficou abalada.
A sensação é de impunidade?
Sim, há uma sensação de impunidade. Alguns bancos já foram condenados devolver milhões de reais porque cobraram ilegalmente taxas dos seus usuários. Isso não é uma espécie de roubo? Além da devolução do dinheiro, os responsáveis não deveriam responder criminalmente? Já pensou se a moda pegar: o assaltante é preso já na saída do banco, e tudo resolve com a devolução do dinheiro roubado…
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em recente entrevista à Revista Piauí, disse abertamente: “em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.(…) Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.”
Nada sintetiza melhor o sentimento de impunidade que sentem as elites brasileiras. Não temem e sentem um profundo desrespeito pelas instituições públicas. Teme apenas o poder de outro grupo privado com o qual mantêm estreitos vínculos, necessários para manter o controle sobre o futebol brasileiro.
São fatos como estes, dos bancos e do presidente da CBF –- por coincidência, um dos bancos condenados a devolver o dinheiro dos usuários também financia a CBF — que acabam naturalizando a impunidade junto a população.
Fonte: http://www.viomundo.com.br/humor/as-respostas-que-o-globo-preferiu-nao-aproveitar.html

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Filosofia Política: vamos aproveitar o recesso de Julho para revisão dos tópicos do primeiro semestre de 2011.

Como já falamos anteriormente o programa de desenvolvemos segue a proposta do Centro de Referência Virtual (ver nesta página), que se apoia em Eixos Temáticos. No segundo bimestre nosso Eixo foi AGIR E PODER, que possui como referências filosóficas a Ética e a Filosofia Política.
 
Os tópicos deste Eixo estão da seguinte forma esquematizados:

TÓPICOS:

2.1. Os valores

a. Ser e dever ser
b. Universalidade e relatividade dos valores

2.2. Liberdade e determinismo

2.3. Indivíduo e comunidade
a. Conflito
b. Lei e justiça


 O programa é desenvolvido tendo como perspectiva aprimorar algumas de nossas habilidades. Seguindo o esquema acima temos a seguinte proposta:

2.1 - Campo dos Valores:

a. Ser e deve ser
- Reconhecer que o agir humano é de natureza valorativa.
- Distinguir e circunscrever a esfera da moral como o lugar das ações e escolhas humanas, das normas e dos valores.
- Distinguir entre as esferas dos fatos e dos valores.
- Conhecer algumas entre as diversas posições filosóficas a respeito do bem e o mal. 

b. Universalidade e Relatividade dos valores

- Compreender a diversidade cultural.
- Analisar criticamente o etnocentrismo.
- Confrontar as posições universalistas e relativistas em relação aos valores.


2.2. Liberdade e determinismo

- Refletir sobre as condições do agir humano.
- Compreender e analisar o conceito de liberdade em sua relação com o conceito de determinismo.
- Compreender que a liberdade humana se exerce em meio às determinações.
- Confrontar as concepções filosóficas que negam a existência de um livre-arbítrio com aqueles que o  afirmam.
- Compreender que o agir ético é indissociável da relação consigo mesmo e com os outros

2.3. Indivíduo e comunidade

a. Conflito

- Delimitar as esferas do indivíduo, do social e do político.
- Refletir sobre o sentido do conflito nas relações humanas.
- Compreender a esfera da política como o lugar da expressão e articulação de conflitos e eventual operação de consenso.
- Compreender o fenômeno da violência em sua diferença com o conflito.
- Pensar os fundamentos da desobediência.
- Distinguir entre o exercício da força e o da autoridade (uso legítimo da força).


b. Lei e justiça

- Compreender os diferentes conceitos de lei
- Compreender os diferentes conceitos de Justiça
- Diferenciar legitimidade e legalidade.
- Compreender as diferentes formas de poder nas sociedades humanas.

Fonte: Centro de Referência Virtrual - Secretaria de Estado da Educação - MG

domingo, 17 de julho de 2011

Filosofia Política no poema de Carlos Drummond de Andrade.

Na poema "Nosso Tempo", Carlos Drummond de Andrande termina esta poesia com esta estrofe:

(...)
"O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos  e outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme."

O que o poeta pretendeu expressar com esta poesia? Faça uma pequena redação, depois de pesquisar mais na internet a obra deste grande poeta. Bons estudos.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

"CALE-SE"

Caro aluno,

1 - Veja esta letra do Chico Buarque, escrita em parceria com Gilberto Gil. (Ela é intrepretada com Milton Nascimento).
2 - Em sua opinião qual o tema central desta música?
3 -  O que os autores pretenderam ao usar expressões como "Cálice" e "Cale-se"?
4 - Em que época da história do Brasil ela foi criada?
5 - Em sua opinião a letra desta música pode ser adequada para um período como o de hoje em que a democracia está consolidada?
6 - Em nosso regime democrático pode acontecer atos ditatoriais? Dê um exemplos e explique sua opinião.

Cálice

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque e Gilberto Gil
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor e engolir a labuta?
Mesmo calada a boca resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada, prá a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
De muito gorda a porca já não anda (Cálice!)
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!)
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade?
Mesmo calado o peito resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Talvez o mundo não seja pequeno (Cale-se!)
Nem seja a vida um fato consumado (Cale-se!)
Quero inventar o meu próprio pecado (Cale-se!)
Quero morrer do meu próprio veneno (Pai! Cale-se!)
Quero perder de vez tua cabeça! (Cale-se!)
Minha cabeça perder teu juízo. (Cale-se!)
Quero cheirar fumaça de óleo diesel (Cale-se!)
Me embriagar até que alguém me esqueça (Cale-se!)

domingo, 10 de julho de 2011

Lição para casa: APOLOGIA DE SÓCRATES (Platão). O sentido da busca da verdade pode ser superior à própria vida?

Prezados Alunos: Durante a próxima semana façam uma leitura do texto abaixo e depois elaborem uma pequena redação com este tema: 

COMENTÁRIOS DE TEXTOS FILOSÓFICOS - APOLOGIA DE SÓCRATES -  Platão
(...) Amor é compromisso
com algo mais terrível do que o amor?(...)

(Poema: Mineração do Outro – Carlos Drummmond de Andrade)

Um texto escrito por Platão citando um outro filósofo paradigmático e, que independentemente de ter sido historicamente real, é tão real quanto a força dramática do trecho do poema de Drummond de Andrade transcrito acima.
Em primeiro lugar não custa repetir os traços elegantes, fortes e dramáticos da Apologia. Eu encerraria aqui qualquer pretensão de comentário, se o texto se apresentasse apenas como um poema. Mas, sem deixar de ser poema de feição apaixonada é também uma elaboração filosófica e é, sobretudo um repto. Senão vejamos:

Qual a essência da “Apologia”? – De uma forma quase grosseira, diria que a obra é um libelo em defesa da Verdade. Mas de que verdade estamos falando, uma vez que esta verdade é um compromisso com uma coerência, daquilo que Sócrates tinha como mais valioso que a própria vida. A Verdade pode ser terrível? Sem dúvida e, nesta medida, ela chega ser “não humana”; ela é divina. É uma medida da dimensão absoluta de Deus, assim como acreditava Sócrates.

Sendo acusado de corromper os jovens e de ateísmo, Sócrates é levado a julgamento e finalmente, condenado à morte.

Na Apologia Platão pretende reproduzir a defesa de Sócrates perante seus acusadores e sua postura perante a sentença.

Para Sócrates, ao acusá-lo, seus juizes praticavam um ato ignóbil, injusto e maldoso. Cabia a Sócrates através dos seus argumentos impedir seus juizes de cometer uma maldade; esta era o sentido de sua defesa. Sócrates não receava sua condenação; mas sendo condenado, não teria sido capaz de impedir os seus juizes de alcançar a verdade.
Mesmo esta nova afirmativa em face do próprio discurso da Apologia revela alguns paradoxos: em todo o texto há um sentido de predestinação e fatalidade. Sócrates esperava ser condenado. É como se ele soubesse que estava jogando um jogo de cartas marcadas. Mas sendo assim porque o tamanho empenho na sua defesa?  Arriscamos a dizer que seu compromisso com a verdade obrigava-o a esta defesa, ainda que seu desfecho já fosse esperado.   


O singular é que Sócrates é citado como um marco no surgimento deste período da filosofia, que identificará na introspecção o caminho do conhecimento. A expressão “conhece-te a ti mesmo”, tornou-se a divisa deste filósofo. “Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros, é que o período socrático é antropológico”.
A leitura à Apologia de Sócrates é tão sedutora, que uma pequena pesquisa mostra outras visões sobre o mesmo assunto. E é claro que estas opiniões se multiplicam.

Em um texto da professora Marilene Chauí (in Convite à Filosofia) ela assim se expressa sobre a Apologia:

“(...) Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado perante a assembléia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno – a cicuta – e obrigado a suicidar-se.
Por que Sócrates não se defendeu? “Porque”, dizia ele, “se eu me defender, estarei aceitando as acusações, e eu não as aceito. Se eu me defender, o que os juízes vão exigir de mim? Que eu pare de filosofar. Mas eu prefiro a morte a ter que renunciar à Filosofia”.O julgamento e a morte de Sócrates são narrados por Platão numa obra intitulada Apologia de Sócrates, isto é, a defesa de Sócrates, feita por seus discípulos, contra Atenas.(...)”


Como já dissemos e, ao contrário do que diz a professora Chauí, Sócrates faz a sua defesa: ele precisava fazê-la. Não para alterar o resultado de um julgamento que ele já antevia o resultado, mas como um compromisso com a maieutica: é preciso manter o compromisso de dar à luz à verdade.   

Aqui vemos a figura de um arquétipo: o Sócrates Herói, aquele que se despoja da própria vida para salvar valores universais.

 Texto: Frederico Drummond - professor de filosofia

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Atenção todos os alunos do ensino médio (regular e EJA): vamos conhecer mais sobre filosofia política.

Origem da vida política

Entre as explicações sobre a origem da vida política, três foram as principais e as mais duradouras:

1. As inspiradas no mito das Idades do Homem ou da Idade de Ouro. Esse mito recebeu inúmeras versões, mas, em suas linhas gerais, narra sempre o mesmo: no princípio, durante a Idade de Ouro, os seres humanos viviam na companhia dos deuses, nasciam diretamente da terra e já adultos, eram imortais e felizes, sua vida transcorria em paz e harmonia, sem necessidade de leis e governo.
Em cada versão, a perda da Idade de Ouro é narrada de modo diverso, porém, em todas, a narrativa relata uma queda dos humanos, que são afastados dos deuses, tornam-se mortais, vivem isoladamente pelas florestas, sem vestuário, moradia, alimentação segura, sempre ameaçados pelas feras e intempéries. Pouco a pouco, descobrem o fogo: passam a cozer os alimentos e a trabalhar os metais, constroem cabanas, tecem o vestuário, fabricam armas para a caça e proteção contra animais ferozes, formam famílias.
A última idade é a Idade do Ferro, em geral descrita como a era dos homens organizados em grupos, fazendo guerra entre si. Para cessar o estado de guerra, os deuses fazem nascer um homem eminente, que redigirá as primeiras leis e criará o governo. Nasce a política com a figura do legislador, enviado pelos deuses.
Com variantes, esse mito será usado na Grécia por Platão e, em Roma, por Cícero, para simbolizar a origem da política através das leis e da figura do legislador. Leis e legislador garantem a origem racional da vida política, a obra da razão sendo a ordem, a harmonia e a concórdia entre os humanos sob a forma da Cidade. A razão funda a política.

2. As inspiradas pela obra do poeta grego Hesíodo, O trabalho e os dias. Agora, a origem da vida política vincula-se à doação do fogo aos homens, feita pelo semideus Prometeu. Graças ao fogo, os humanos podem trabalhar os metais, cozer os alimentos, fabricar utensílios e sobretudo descobrir-se diferentes dos animais. Essa descoberta leva a perceber que viverão melhor se viverem em comunidade, dividindo os trabalhos e as tarefas. Organizados em comunidades, colocam-se sob a proteção dos deuses de quem receberam as leis e as orientações para o governo.
Pouco a pouco, porém, descobrem que sua vida possui problemas e exige soluções que somente eles podem enfrentar e encontrar. Mantendo a piedade pelos deuses, entretanto, criam leis e instituições propriamente humanas, dando origem à comunidade política propriamente dita. É a teoria política defendida pelos sofistas. Nessa concepção, o desenvolvimento das técnicas e dos costumes leva a convenções entre os humanos para a vida em comunidade sob leis. A convenção funda a política.

3. As teorias que afirmam que a política decorre da Natureza e que a Cidade existe por natureza. Os humanos são, por natureza, diferentes dos animais, porque são dotados do logos, isto é, da palavra como fala e pensamento. Por serem dotados da palavra, são naturalmente sociais ou, como diz Aristóteles, são animais políticos. Não é preciso buscar nos deuses, nas leis ou nas técnicas a origem da Cidade: basta conhecer a natureza humana para nela encontrar a causa da política. Os humanos, falantes e pensantes, são seres de comunicação e é essa a causa da vida em comunidade ou da vida política. Nessa concepção, a
Natureza funda a política.

a) Na primeira teoria, a política é o remédio que a razão encontra para a perda da felicidade da comunidade originária.
b) Na segunda, a política resulta do desenvolvimento das técnicas e dos costumes, sendo uma convenção humana.
c) Na terceira, enfim, a política define a própria essência do homem, e a Cidade é considerada uma instituição natural.

Enquanto as duas primeiras reelaboram racionalmente as explicações míticas, a terceira parte diretamente da definição da natureza humana.

Texto da professora Marilena Chaui.