O mito da cavernaImaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda luminosidade possível é a que reina na caverna.Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade.O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A dialética. O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia. Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense)? Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro.Período sistemático
Café Filosófico e Espaço Vivencial: Registro das reflexões e vivências de todos aqueles que buscam seus propósitos, em cada momento da vida, e contam com a ajuda da filosofia, de terapias e jornadas existenciais para seu crescimento pessoal e coletivo. Buscamos a interação com nossa comunidade, na perspectiva da exercício da cidadania. (*) Do grego - Phylo = Amor; Sophia = Sabedora. Assim: Filosofia signfica "Amor a Sabedoria"
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Para ampliar nossa compreensão sobre o Mito ou Alegoria da Caverna
Texto da professora Marilena Chaui
Lições de Platão: A Alegoria da Caverna
A Alegoria da Caverna é o texto mais conhecido de Platão, que levanta muitas questões sobre a realidade, conhecimento, etc.
Autoria: Por Lucas Martins
Fonte: http://www.infoescola.com/filosofia/alegoria-da-caverna/
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Reapresentação dos nossos eixos de Aula - Tema 1 - O Ser Humano
EIXO TEMÁTICO: SER HUMANO
TÓPICOS:
1.1. Natureza e cultura
- Distinguir entre as noções de
natureza e de cultura.
- Compreender a noção de
cultura como essencial à
definição do ser humano
- Compreender que, no ser
humano, as características
biológicas da natureza e os dados
culturais estão profundamente
associados.
1.2. Corpo e psiquismo
- Analisar diferentes concepções
filosóficas sobre a constituição
do ser humano.
- Discutir as relações entre
racionalidade e desejo
- Compreender a questão da
consciência como um aspecto
fundamental do ser humano.
- Discutir a relação entre mente
e cérebro
- O que distingue o ser humano dos outros animais?
- O que faz do ser humano um animal como os outros?
- Existe uma natureza humana?
- O que pode significar a palavra “cultura”?
- É possível distinguir no ser humano o natural do cultural?
- O ser humano: frágil ou forte diante da natureza
O ser humano é dual?
O que comanda o ser humano: sua razão ou seus desejos?
O psiquismo é separado do corpo?
O conhecimento é uma modalidade de desejo?
PROBLEMAS POSTADOS:
Somos senhores de nossos desejos e sentimentos?
O que significa ser consciente?
É mais fácil conhecer a si do que as coisas ou os outros?
A consciência nos engana?
É possível conhecer-se a si mesmo sem enganar-se?
O que significa dizer que pensamos com nosso cérebro?
Textos filosóficos:
Como a Alegoria a Caverna, de Platão, pode nos auxiliar nestas reflexões. Sair da Caverna é um caminho para a descoberta do Real? Nossos sentidos nos enganam?
segunda-feira, 2 de maio de 2011
2 de Maio: Introdução ao Estudo da Ética e da Moral.
O texto a seguir foi reproduzido da enciclopédia virtual - Wikipédia. Apesar de não ser uma fonte acadêmica de pesquisa, apresenta um bom resumo geral da noção de Ética e Moral. Vamos entendê-lo apenas como como uma das fontes de nossas pesquisas. Boa Reflexão:
Ética (do grego ethos, que significa modo de ser, caráter, comportamento) é o ramo da filosofia que busca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade. Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano. [1][2].Na filosofia clássica, a ética não se resume ao estudo da moral (entendida como "costume", do latim mos, mores), mas a todo o campo do conhecimento que não é abrangido na física, metafísica, estética, na lógica e nem na retórica. Assim, a ética abrangia os campos que atualmente são denominados antropologia, psicologia, sociologia, economia, pedagogia, educação física, dialética e até mesmo política, em suma, campos direta ou indiretamente ligados a maneiras de viver.Porém, com a crescente profissionalização e especialização do conhecimento que se seguiu à revolução industrial, a maioria dos campos que eram objeto de estudo da filosofia, particularmente da ética, foram estabelecidos como disciplinas científicas independentes. Assim, é comum que atualmente a ética seja definida como "a área da filosofia que se ocupa do estudo das normas morais nas sociedades humanas" [3] e busca explicar e justificar os costumes de um determinado agrupamento humano, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a qualidade desta conduta, quando julga-se do ponto de vista do Bem e do Mal.A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
BEM VINDO AOS NOVOS MEMBROS DESTA COMUNIDADE.
A partir de ontem, dia 28 de abril, os alunos do ensino médio, do período noturno, de nossa Escola Estadual Emílio de Vasconcelos Costa, passaram a integrar nossa comunidade de reflexões filosóficas. São três turmas do ensino médio convencional e seis turmas de Jovens e Adultos, mas conhecidos como EJA. A todos estes alunos nossa manifestação de boas vindas.
Estudar à noite constitui para todos um desafio adicional. Sabemos que a opção pelo período da noite, via de regra, implica na busca de novas alternativas por aquelas pessoas que trabalham durante o dia. Estudar filosofia à noite é um esforço também adicional. Mas podemos fazer desta vivência um momento de gratificação. Para os Jovens e Adultos que buscam uma forma de acelerar novas oportunidades profissionais reafirmamos: não desistam nunca deste sonho. Porque, como diria Paulo Freire, este é o Sonho da Liberdade. E este é um sonho que construimos pelas nossas escolhas e ações.
Vamos fazer desta jornada a Nossa Jornada.
Um grande abraço
Frederico, professor
Estudar à noite constitui para todos um desafio adicional. Sabemos que a opção pelo período da noite, via de regra, implica na busca de novas alternativas por aquelas pessoas que trabalham durante o dia. Estudar filosofia à noite é um esforço também adicional. Mas podemos fazer desta vivência um momento de gratificação. Para os Jovens e Adultos que buscam uma forma de acelerar novas oportunidades profissionais reafirmamos: não desistam nunca deste sonho. Porque, como diria Paulo Freire, este é o Sonho da Liberdade. E este é um sonho que construimos pelas nossas escolhas e ações.
Vamos fazer desta jornada a Nossa Jornada.
Um grande abraço
Frederico, professor
terça-feira, 26 de abril de 2011
AGENDA PARA MAIO 2011
DIA 02 DE MAIO TEREMOS NOSSA PRIMEIRA AULA DE FILOSOFIA DO SEGUNDO BIMESTRE DO ANO.
CONFIRA NOSSO PROGRAMA DE AULAS LOGO ABAIXO.
ÉTICA, MORAL, PODER E POLÍTICA SERÃO NOSSOS TEMAS PRINCIPAIS DESTE PERÍODO.
CONFIRA NOSSO PROGRAMA DE AULAS LOGO ABAIXO.
ÉTICA, MORAL, PODER E POLÍTICA SERÃO NOSSOS TEMAS PRINCIPAIS DESTE PERÍODO.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Aula dia 26 de Abril: O papel dos Mitos na antiguidade grega - Platão
O Banquete, 203b-204b, Platão
De que pai ele nasceu, perguntei, e de que mãe? – É uma história um tanto longa; mesmo assim vou contá-la a ti. No diaem que Afrodite nasceu, os deuses deram um banquete. Com eles estava o filho de Métis, Poros. Depois do Jantar, Penia tinha vindo mendigar, o que é natural num dia de abundância de comidas e bebidas, e mantinha-se perto da porta. Poros, que se tinha embriagado com néctar (pois o vinho não existia ainda), entrou no jardim de Zeus e, entorpecido, adormeceu. Penia, na sua penúria, teve a idéia de ter um filho de Poros; deitou-se junto a ele e concebeu o Amor. É por isso que o Amor se tornou companheiro de Afrodite e seu servidor. Concebido por ocasião das festas pelo nascimento dela, por sua própria natureza, ama o belo – a Afrodite é bela.Então, sendo filho de Poros e de Penia, o Amor acha-se na seguinte situação: por um lado, é sempre pobre, e, longe de ser delicado e belo como acredita a maioria das pessoas, é, pelo contrário, rude, desagradável, caminha pelo mundo de pés descalços, não tem morada, dorme sempre no chão duro, ao ar livre, perto das portas e nos caminhos, pois puxou à mãe; e a necessidade acompanha-o sempre. Por outro lado, a exemplo de seu pai, está sempre à espreita do que é belo e do que é bom; é viril, resoluto, ardente, é um caçador de primeira ordem, está sempre inventando manhas; aspira ao saber e sabe encontrar as passagens que o levam a ele; passa todo o tempo de sua vida filosofando; é um maravilhoso feiticeiro, e mágico, e sofista. É preciso acrescentar ainda que, por natureza, não é imortal nem mortal. Num mesmo dia, ora floresce e vive, ora morre; depois revive quando por ele perpassam os recursos que deve à natureza de seu pai, mas o que se passa nele, incessantemente, lhe escapa; assim sendo, o Amor não está jamais na indigência nem na opulência.Por outro lado, mantém-se entre o saber e a ignorância; e eis o que acontece: nenhum deus se ocupa em filosofar nem deseja se tornar sábio, pois já o é. E, de uma maneira geral, quando se é sábio não se filosofa; mas os ignorantes, também eles, não filosofam e não desejam se tornar sábios. É isso justamente que é deplorável na ignorância: não se é belo, nem bom, nem inteligente e, no entanto, se acredita sê-lo. Não se deseja uma coisa quando não se sente a sua falta. – Quem são, Diotima, perguntei, os que filosofam, se não são nem os sábios nem os ignorantes? – É muito claro, respondeu, até uma criança o veria imediatamente: os que se encontram entre os dois; e o Amor deve estar entre eles. A ciência, com efeito, está incluída entre as coisas mais belas; ora, o Amor é amor pelo belo; impõe-se, portanto, que o Amor seja filósofo e, por ser filósofo, que esteja no meio-termo entre o sábio e o ignorante. A causa disso está na origem, pois ele nasceu de um pai sábio e cheio de recursos e de uma mãe desprovida tanto de ciência quanto de recursos. É essa, meu caro Sócrates, a natureza desse demônio.
Platão, Obras Completas. O Banquete, 203b-204b.
1) Qual o principal tema deste texto de Platão?
2) Segundo Platão o Amor possui uma dupla natureza. Destaque porque.
3) Esta descrição do Banquete de Platão é um Fato Histórico ou um Mito? Explique.
As reflexões dos alunos sobre questões morais do nosso cotidiano.
O debate de nossas escolhas éticas:
Os casos abaixo foram reproduzidos do livro da professora Marilena Chaui "Convite à Filosofia". Os alunos ouviram inicialmente uma a introdução aos fundamentos filosóficos da Ética e da Moral. Depois em grupo debateram os casos relatados e produziram seus comentários. Oportunamente faremos uma reflexão crítica sobre o trabalho de cada grupo. TODAS AS QUESTÕES SÃO POLÊMICAS. Razão porque convidamos a sociedade contribuir neste debate.
Caso 1
Vivemos certas situações, ou sabemos que foram vividas por outros, como situações de extrema aflição e angústia. Assim, por exemplo, uma pessoa querida, com uma doença terminal, está viva apenas porque seu corpo está ligado a máquinas que a conservam. Suas dores são intoleráveis. Inconsciente, geme no sofrimento. Não seria melhor que descansasse em paz? Não seria preferível deixá-la morrer? Podemos desligar os aparelhos? Ou não temos o direito de fazê-lo? Que fazer? Qual a ação correta?
Texto dos alunos
Grupo 1
“ Cada caso é um caso; dependendo do estado de vida da pessoa, se ela estiver só vegetando, sem nenhuma esperança de vida, concordamos em desligar os aparelhos. Mas caso contrário se houver alguma esperança achamos que a pessoas, os familiares e os médicos devem continuar lutando”
Caso 2
Uma jovem descobre que está grávida. Sente que seu corpo e seu espírito ainda não estão preparados para a gravidez. Sabe que seu parceiro, mesmo que deseje apoiá-la, é tão jovem e despreparado quanto ela e que ambos não terão como se responsabilizar plenamente pela gestação, pelo parto e pela criação de um filho. Ambos estão desorientados. Não sabem se poderão contar com o auxílio de suas famílias (se as tiverem).Se ela for apenas estudante, terá que deixar a escola para trabalhar, a fim de pagar o parto e arcar com as despesas da criança. Sua vida e seu futuro mudarão para sempre. Se trabalha, sabe que perderá o emprego, porque vive numa sociedade onde os patrões discriminam as mulheres grávidas, sobretudo as solteiras. Receia não contar com os amigos. Ao mesmo tempo, porém, deseja a criança, sonha com ela, mas teme dar-lhe uma vida de miséria e ser injusta com quem não pediu para nascer. Pode fazer um aborto? Deve fazê-lo?
Texto dos alunos
Grupo 1
“ Fazer o aborto ela até pode, mas no nosso ponto de vista ela não deve fazer. Como o próprio texto diz a criança não pediu para nascer e sendo assim a mãe deveria ter tomado as medidas necessárias, sabendo das conseqüências dos dias atuais. Estamos vivendo num mundo de preconceitos e discriminações. E ela (a mãe) deve dar o seu melhor, para tentar dar uma vida digna para o bebê. Ele (o bebê) não tem culpa da falta de responsabilidade dos pais.”
Grupo 2
“ Todos no grupo concordam que o aborto não é o mais correto. Só que em algumas ocasiões, por causa do medo e do desespero as pessoas optam por fazer o aborto e sendo assim, não devem ser julgadas por esta atitude.”
Caso 3
Um pai de família desempregado, com vários filhos pequenos e a esposa doente, recebe uma oferta de emprego, mas que exige que seja desonesto e cometa irregularidades que beneficiem seu patrão. Sabe que o trabalho lhe permitirá sustentar os filhos e pagar o tratamento da esposa. Pode aceitar o emprego, mesmo sabendo o que será exigido dele? Ou deve recusá-lo e ver os filhos com fome e a mulher morrendo?
Texto dos alunos
Grupo 1
“ Nós aceitaríamos emprego desonesto ( nos termos colocado no texto) até arrumar outro trabalho, porque preferimos trabalhar desonestamente a ver meus filhos e minha esposa passar fome.”
Grupo 2
“Achamos que ele deve aceitar o emprego por mais que seja ilegal. É a família dele que está sofrendo, com fome. Achamos que quando o sofrimento da família está em jogo, fazemos qualquer coisa, agimos por instinto, por nossas escolhas (sic). E sabendo que mais tarde teremos certas conseqüências. Mas na hora só pensamos na família e acabar com o sofrimento deles”.
Caso 4
Um rapaz namora, há tempos, uma moça de quem gosta muito e é por ela correspondido. Conhece uma outra. Apaixona-se perdidamente e é correspondido. Ama duas mulheres e ambas o amam. Pode ter dois amores simultâneos, ou estará traindo a ambos e a si mesmo? Deve magoar uma delas e a si mesmo, rompendo com uma para ficar com a outra? O amor exige uma única pessoa amada ou pode ser múltiplo? Que sentirão as duas mulheres, se ele lhes contar o que se passa? Ou deverá mentir para ambas? Que fazer? Se, enquanto está atormentado pela decisão, um conhecido o vê ora com uma das mulheres, ora com a outra e, conhecendo uma delas, deve contar a ela o que viu? Em nome da amizade, deve falar ou calar?
Texto dos alunos
Grupo 1
“ Além de estar traindo ambas, está traindo a si mesmo, pois não sabe expressar seu sentimento e não conhece a si mesmo. O amor só existe com uma pessoa. Pois um ato de poligamia desestruturaria o relacionamento. Elas ficariam bem magoadas e sim, as amigas devem contar que estão sendo traídas.”
Grupo2
“ Estar amando duas pessoas na espécie humana é normal, pois ninguém manda em seus sentimentos, eles simplesmente acontecem. Só não é tolerável a traição. Se algum amigo presenciar algo assim, deve sim contar, pois ser amigo é ser fiel.”
Caso 5
Uma mulher vê um roubo. Vê uma criança maltrapilha e esfomeada roubar frutas e pães numa mercearia. Sabe que o dono da mercearia está passando por muitas dificuldades e que o roubo fará diferença para ele. Mas também vê a miséria e a fome da criança. Deve denunciá-la, julgando que com isso a criança não se tornará um adulto ladrão e o proprietário da mercearia não terá prejuízo? Ou deverá silenciar, pois a criança corre o risco de receber punição excessiva, ser levada para a polícia, ser jogada novamente às ruas e, agora, revoltada, passar do furto ao homicídio? Que fazer?
Texto dos alunos
Grupo 1
“ Em nossa opinião ela não deve denunciá-la, mas sim chamá-la para conversar e explicar para ela que aquilo não é certo e ela ( a criança) deveria pagar o que pegou.”
Grupo2
“Nós achamos que a mulher deveria pagar pelas frutas que o menino pegou, pois se fosse levado para a polícia, poderia voltar revoltado e atacar novamente”.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Senso Moral e Consciência Moral: nossa oitava aula - 12 de abril.
Tendo como referência o texto A existência ética (Capítulo 4) da Unidade 8 (O Munda da prática) do Livro Convite à Filosofia De Marilena Chaui Ed. Ática, São Paulo, 2000 trabalhamos com os alunos a seguinte dinâmica:
a) Introduzimos o tema da Ética seguindo as reflexões proposta pela professora Marilena Chaui, de acordo com o livro indicado (ver link nesta página). As teorias do Valor presentes em toda a história da Filosofia (partindo das principais reflexões de Platão e Aristóteles) chegam até os nossos dias, conforme a síntese que retiramos do texto de Chaui:
b) Para promover este debate repassamos aos alunos os cinco casos retirados do livro de Marilena Chauis, que foram objeto destas reflexões. Em outro momento reproduziremos os textos elaborados pelos alunos:
a) Introduzimos o tema da Ética seguindo as reflexões proposta pela professora Marilena Chaui, de acordo com o livro indicado (ver link nesta página). As teorias do Valor presentes em toda a história da Filosofia (partindo das principais reflexões de Platão e Aristóteles) chegam até os nossos dias, conforme a síntese que retiramos do texto de Chaui:
"Para que haja conduta ética é preciso que exista o agente consciente, isto é, aquele que conhece a diferença entre bem e mal, certo e errado, permitido e proibido, virtude e vício. A consciência moral não só conhece tais diferenças, mas também reconhece-se como capaz de julgar o valor dos atos e das condutas e de agir em conformidade com os valores morais, sendo por isso responsável por suas ações e seus sentimentos e pelas conseqüências do que faz e sente. Consciência e responsabilidade são condições indispensáveis da vida ética."
Observações de calendário escolar: no período de 11 a 18 de abril os alunos estão realizando suas provas relativas ao primeiro bimestre, bem como o primeiro simulado. Nos próximos dias, após correção, faremos comentários sobre a prova de filosofia.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Política e Ética: Vamos nos programar para o segundo bimestre de 2011.
Ao mesmo tempo que sistematizamos tudo que aprendemos no primeiro bimestre do ano (termina de 29 de abril), vamos nos programar para nossa segunda etapa de 2011. De acordo com nosso calendário o segundo bimestre tem início no dia 1o de Maio e termina no dia 15 de julho. Para este período temos programado outro importante campo de investigação filosófica, que pode ser sintetizado nos seguintes termos:
2. AGIR E PODER
2. AGIR E PODER
Nós teremos 10 aulas para o desenvolvimento deste conjunto de temas. Observem que agora entramos em um dos campos centrais da filosofia relacionados com a Ética e a Política. Vamos descobrir juntos porque este foram temas tão sagrados desde os filósofos como Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Tomas de Aquino (na Idade Média), depois na Idade Moderna, filósofos como Descartes, Kant, Rousseau, seguindo até os dias de hoje com o pensamento de Nietzsche, Hegel, Marx, Sartre e tantos outros.
Seguindo nosso método farei postagens de Apostilas Virtuais para os que quiserem aprofundar nos temas.
2.1. Os valores
a. Ser e dever ser
b. Universalidade e relatividade dos valores
2.2. Liberdade e determinismo
2.3. Indivíduo e comunidade
a. Conflito
b. Lei e justiça
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Nosso Luto. Nossa Dor.
HOJE ESTAMOS DE LUTO.
Treze alunos nossos (todos alunos são alunos de todos os professores), treze colegas nossos (todos os estudantes são colegas de todos os estudantes), treze filhos, irmãos, crianças foram brutalmente assassinadas, em uma Escola de Realengo, no Rio de Janeiro.
O assassino (um sociopata? faz sentido agora buscar definições?) também fora um de nossos alunos.
Hoje nos permitiremos apenas a dor do nosso luto. Nossas escolas e o sistema educacional estão de luto.
Por todos os professores e alunos do Escola Estadual Emílio de Vasconcelo Costa, Sete Lagoas, MG,
Treze alunos nossos (todos alunos são alunos de todos os professores), treze colegas nossos (todos os estudantes são colegas de todos os estudantes), treze filhos, irmãos, crianças foram brutalmente assassinadas, em uma Escola de Realengo, no Rio de Janeiro.
O assassino (um sociopata? faz sentido agora buscar definições?) também fora um de nossos alunos.
Hoje nos permitiremos apenas a dor do nosso luto. Nossas escolas e o sistema educacional estão de luto.
Por todos os professores e alunos do Escola Estadual Emílio de Vasconcelo Costa, Sete Lagoas, MG,
Olha ai moçada: Vamos revisar os temas debatidos em nosso primeiro bimestre.
Apenas como referencial vamos recordar de forma itemizada os principais pontos:
1 - "Alegoria da Caverna", também conhecida como a Caverna de Platão falava sobre que temas da filosofia? Revejam quais os pontos centrais das teses de Platão apresentada nesta Alegoria.
2 - Os seres humanos possuem uma alma (psiquismo) distinta do corpo físico? Mente e cérebro são coisas diferentes? Como a mente está relacionada com o cérebro? Quando o cérebro morre a mente também morre?
3 - O dualismo, defendido por Platão e o monismo, defendido por Demócrito são teorias sobre o cérebro e a mente que perduram até os dias atuais.
4 - Um homem e um cavalo, por exemplo, possuem os mesmos recursos dos sentidos para obter informações do meio em que vivem como a audição, visão, olfato, paladar e tato. Ambos possuem também um cérebro.
a - Porque o primeiro consegue construir uma cultura e fazer história e o segundo não?
b - A diferença estaria no cérebro dos dois entes?
c - A existência ou não de uma alma no homem poderia explicar ou não esta diferença?
d - A diferença poderia estar tão somente em processos evolutivos (evolução das espécies), que dota os homens de um cérebro mais complexo do que os dos cavalos?
e - Podemos dizer que a consciência surge deste cérebro mais complexo ou não? Temos outras teorias para explicar como surge a consciência e qual sua relação com a mente e o cérebro?
5 - POSSUÍMOS LIVRE-ARBÍTRIO OU NOSSAS ESCOLHAS E DECISÕES SÃO CONDICIONADAS?
6 - A verdadeira liberdade pode ser apenas individual (Platão e Sartre) ou ela possui também uma importante dimensão social (Espinoza, Hegel e Marx) ?
A liberdade apenas individual, sem sua dimensão social, pode transformar-se em fonte do individualismo e nos alienar da realidade social e política?
A liberdade apenas individual, sem sua dimensão social, pode transformar-se em fonte do individualismo e nos alienar da realidade social e política?
7 - PARA QUEM QUER SE APROFUNDAR:
Revejam o texto de nossa apostila virtual sobre a história da Filosofia na Antiguidade Grega.
No período socrático, Platão irá desenvolver em muitas de suas reflexões os conceitos de alma, Teoria das Idéias, possibilidade do conhecimento empírico procurando solucionar o impasse surgido entre as teorias dos filósofos
Heráclito (No mundo tudo está em permanente mudança - o real é o devir - muda sempre)
Parmênides (O que muda é o mundo aparente. O real - o ser verdadeiro - é imutável).
Heráclito e Parmênides são os dois principais filósofos do período pré-socrático.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Um brinde aos alunos navegantes: ouçam e vejam a primeira apresentação pública de Roda Viva
RODA VIDA - 1967 - CHICO BUARQUE DE HOLANDA
EM 1968 O GOVERNO MILITAR EDITA O ATO INSTITUCIONAL Nº5 PONDO FIM A QUALQUER ATO DE LIBERDADE.
O EXERCICIO DA LIBERDADE PASSA A SER UM ATO CLANDESTINO.
EM 1968 O GOVERNO MILITAR EDITA O ATO INSTITUCIONAL Nº5 PONDO FIM A QUALQUER ATO DE LIBERDADE.
O EXERCICIO DA LIBERDADE PASSA A SER UM ATO CLANDESTINO.
Parabéns turma. Vocês merecem.
Na aula de hoje retomamos o tema da Liberdade versus atos Condicionados. Lembramos as variantes da liberdade, como:
- Liberdade Individual (Platão, Aristóteles e nos tempos atuais, Sartre) e
- Liberdade Coletiva ou Social (Espinosa, Hegel e Marx).
Retomamos também o conceito de atos Condicionados, associado ao Determinismo, Fatalismo e Predestinação que abole nossa responsabilidade de escolha.
Conforme havíamos planejado discutimos estes temas a partir da música Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda. Lembramos que a música foi escrita em 1967, três anos após o golpe militar de 1964. A ditadura militar, relembrada agora pelos seus 47 anos, teve como um dos seus lados mais amargos a abolição de toda forma de liberdade e crítica. A música do Chico tem como uma das chamadas centrais o verso: "A GENTE QUER TER VOZ ATIVA/ EM NOSSO DESTINO MANDAR". A dor e angústia de exercer este destino foi trazida para nosso dia a dia. Os alunos foram convidados, após refletirem sobre a letra da música, a escrever um pequeno texto com o tema central:
- No meu dia a dia eu tenho voz ativa? O que me impede de exercer minha voz ativa.
A participação dos alunos foi brilhante. Nos próximos dias postaremos seus comentários.
- Liberdade Individual (Platão, Aristóteles e nos tempos atuais, Sartre) e
- Liberdade Coletiva ou Social (Espinosa, Hegel e Marx).
Retomamos também o conceito de atos Condicionados, associado ao Determinismo, Fatalismo e Predestinação que abole nossa responsabilidade de escolha.
Conforme havíamos planejado discutimos estes temas a partir da música Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda. Lembramos que a música foi escrita em 1967, três anos após o golpe militar de 1964. A ditadura militar, relembrada agora pelos seus 47 anos, teve como um dos seus lados mais amargos a abolição de toda forma de liberdade e crítica. A música do Chico tem como uma das chamadas centrais o verso: "A GENTE QUER TER VOZ ATIVA/ EM NOSSO DESTINO MANDAR". A dor e angústia de exercer este destino foi trazida para nosso dia a dia. Os alunos foram convidados, após refletirem sobre a letra da música, a escrever um pequeno texto com o tema central:
- No meu dia a dia eu tenho voz ativa? O que me impede de exercer minha voz ativa.
A participação dos alunos foi brilhante. Nos próximos dias postaremos seus comentários.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Plano de aula - dia 5 de Abril - Temos livre-arbítrio?
Em nossa aula do dia 22 de março passado fizemos um debate teórico sobre os conceitos de Livre-arbítrio e Comportamento Condicionado.
Agora vamos colocar este tema a partir de nossa vivência diária. Para isto vamos seguir um pequeno roteiro:
1 - Breve exposição sobre a música RODA VIDA do compositor Chico Buarque de Holanda. A música foi composta em 1967, época em que a Ditadura Militar, impunha censura ao nosso direito de crítica e de expressarmos nossas opiniões de forma livre e democrática (ver abaixo, no dia 24 de março, postagem sobre este assunto):
2 - Trabalho em Grupo tendo como referência a música Roda Viva:
Discuta com seu grupo e faça um pequeno texto com as seguintes questões:
Agora vamos colocar este tema a partir de nossa vivência diária. Para isto vamos seguir um pequeno roteiro:
1 - Breve exposição sobre a música RODA VIDA do compositor Chico Buarque de Holanda. A música foi composta em 1967, época em que a Ditadura Militar, impunha censura ao nosso direito de crítica e de expressarmos nossas opiniões de forma livre e democrática (ver abaixo, no dia 24 de março, postagem sobre este assunto):
2 - Trabalho em Grupo tendo como referência a música Roda Viva:
Discuta com seu grupo e faça um pequeno texto com as seguintes questões:
Na minha vida, no meu dia a dia, eu também quero ter voz ativa? Para que? O que impede que eu realize minha voz ativa? Considere as seguintes alternativas:
a) Eu não quero mudar nada. As coisas estão bem na minha vida e é assim que eu me sinto feliz.
b) Meus pais não querem que eu tenha voz ativa. Acham que sou criança.
c) A sociedade me impede de ter voz ativa. Quando criticamos ou queremos mudar alguma coisa dizem que somos doidos ou irresponsáveis
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